A noção de stress ocupacional tem sido bastante estudada a nível mundial nos últimos 40 anos. Os estudos tem demonstrado que o stress no trabalho é um dos maiores causadores de absentismo, baixa produtividade, acidentes de trabalho, erros de desempenho, invalidez, depressão, morte prematura e também  problemas de relacionamento familiar e social.

Segundo (Greenberg, 1987) o Sindroma de Burnout (esgotamento) é uma reação adversa do organismo ao stress do trabalho, que acaba por se manifestar a nível psicofisiológico, psicológico e comportamental.

As causas para o stress no trabalho, são diversas, podendo envolver sobrecarga de trabalho (física e mental), assente em horários de trabalho muito rígidos ou fora dos ditos padrões normais (mais de 8h/dia); insegurança no trabalho; inadequação do perfil do indivíduo às exigências que lhe são colocadas pela organização onde está inserido; ambiguidade de papéis (o que é esperado e por quem); trabalhar em áreas que não domina; perfeccionismo; não participação nas decisões de gestão de topo (principalmente patente em funções de Direção); remuneração inadequada; motivações não satisfeitas; conflito relacional; dificuldade de adaptação a novas tecnologias; dificuldade de relacionamento com a(s) chefia(s) direta(s); clima organizacional negativo; privação do sono, entre outros.

De entre os estudos realizados, parece consensual, que é mais provável que um colaborador empenhado, perfeccionista e até que atinge bons resultados seja “atingido” por um Sindroma de Burnout, do que aquele colaborador mais despreocupado e que liga pouco ao rigor e até que “não veste” a camisola da Organização onde está integrado. Porque será então que isto acontece? 

A razão é simples, os indivíduos que se preocupam pouco com o seu desempenho, dificilmente atingem estados “limite” de “stress” no trabalho. Poderão ser pouco recompensados por um deficiente desempenho, mas como não são direcionados  para o alcançar de objetivos, é pouco provável que sejam atingidos por distúrbios físicos e psicológicos causados por stress no trabalho, pois acabam por assumir um papel de acomodação e de pouca preocupação com o desenrolar da sua carreira profissional. 

Por oposição, os indivíduos, cujo perfil é orientado para objetivos, gostam de traçar metas, preocupam-se com a qualidade e rigor do trabalho por si desenvolvido (e daqueles que de si dependem) e portanto aceitam quase naturalmente, ritmos de trabalho elevados e consequentemente geradores de stress. Quando este stress alcança níveis “muito elevados”, entra-se na ténue fronteira entre o “normal” e o “patológico” que muitas vezes pode ter efeitos nefastos e até irreversíveis.

A “entrada” em estados de “stress” ocupacionais ditos “patológicos, não acontece regra geral, de um dia para o outro. Na maioria das vezes, é  o acumular de semanas, meses e por vezes anos de um ritmo de trabalho alucinante que acabam por provocar estes episódios. Aliado a tudo isto, há que não esquecer que qualquer indivíduo, acumula à sua vida profissional, a sua vida pessoal/social, onde tem de assumir diferentes papéis (pai, mãe, educador(a), dona(o) de casa, esposo, esposa, amigo(a)……) onde também existem situações que geram stress e ansiedade permanentes. Ora quando conjugamos o stress provocado pelo trabalho e o stress provocado pela vida pessoal/social, a “mistura” pode tornar-se ainda mais “explosiva”, conduzindo a estados limite de stress e ansiedade, que podem provocar um dos maiores males da atual sociedade: a depressão.

Como poderá então contrariar-se esta situação, considerando que atualmente qualquer indivíduo é sujeito a todo um conjunto de “pressões” diárias, seja ao nível do trabalho, da família, dos amigos,…. 

Poderemos então enunciar algumas “dicas”, que poderão ajudar a minorar os efeitos do stress, ou ajudar a lidar com o mesmo. Assim, podemos destacar:

1)  Abandonar de um modo geral, os hábitos de vida pouco saudável (tabaco, álcool, sal, açucares, dieta desajustada, …), acabam sempre por contribuir para uma melhor saúde (física e psicológica) e bem estar;

2) Seguir uma dieta equilibrada (mais assente em fibras vegetais e menos em gorduras animais), acabam por proporcionar resultados surpreendentes, para corrigir os efeitos causados por uma vida competitiva, sedentária e stressante;

3) Fazer exercício físico adequado (à idade e às condições físicas de cada indivíduo), é sempre um precioso auxiliar para combater níveis de stress e ansiedade, pois permite libertar endorfinas, que são de capital importância para a melhoria dos níveis de humor e permite que o sistema nervoso parassimpático, “controle” adequadamente os níveis de stress e ansiedade, traduzindo-se em estados de calma e níveis de ansiedade baixos. 

O mais importante quando se escolhe um exercício físico, é faze-lo adequando-o às caraterísticas físicas (por exemplo ter em conta problemas lombares, cardíacos, entre outros) e psicológicas de cada pessoa ( existem indivíduos que preferem por exemplo um desporto de equipa e outros desportos individuais), mas sempre tendo em conta que o desporto é para provocar bem estar físico e psicológico e não ser visto como uma “obrigação”. 

Fazer uma simples caminhada, pode ser um auxiliar precioso na recuperação de certas doenças, na desabituação face ao tabaco e também no combate à obesidade e a uma vida sedentária.

4) A prática de meditação (mindfulness) ou por exemplo de Ioga, Reiki ou outras técnicas de respiração poderão ajudar a alcançar estados de calma e de controlo da ansiedade e stress, tanto no âmbito pessoal como profissional. Atualmente, já é comum por exemplo, que Quadros Executivos de Empresas (com enfoque para Multinacionais) frequentem programas de Mindfulness e de Técnicas de Respiração com o objetivo de os ajudar a lidar de modo mais ajustado com os imprevistos do dia a dia, proporcionando um maior controlo sobre o stress, a ansiedade e a dor;

5) Encontrar um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, tentando sempre que possível. deixar o trabalho “fora da “porta” de casa e aproveitar esses momentos para o relacionamento familiar ou social;

6) Quando a dada altura um indivíduo sente que estão a tocar algumas “campainhas”ou a acender algumas “luzes, que lhe pretendem indicar que algo não está tão bem a nível comportamental, é importante fazer uma introspeção e perceber que é necessário recorrer à ajuda de um especialista (Psicólogo, Psicoterapeuta,…) que consiga auxiliar o seu paciente na identificação das razões do problema e da forma de o contornar adequadamente;

Considerando  tudo o que foi exposto anteriormente, não podemos esquecer que o Stress no trabalho,  quando em estados muito “elevados”, acaba por ser um “inimigo” do bom desempenho dos colaboradores de uma organização. Assim, é de extrema importância que em Portugal (há semelhança daquilo que acontece, por exemplo nos países nórdicos) os Gestores de Topo das Organizações, considerem importante ter colaboradores motivados, responsáveis, mas deem-lhes as condições para alcançar os níveis de excelência pretendidos.

Há que não esquecer que nenhum indivíduo, consegue ser 100% feliz, assentando as suas motivações única e exclusivamente no trabalho. Por muito que se diga que é possível, esse estado acaba sempre por ser “transitório” e regra geral culmina nos estados emocionais negativos falados anteriormente. É assim, necessário mudar mentalidades e atitudes, dando “espaço” para que as pessoas consigam conjugar a sua vida profissional com a pessoal, pois só assim o bem estar físico e emocional pode ser alcançado!

José Vaz Quintino

Psicólogo – Diretor Geral da Psicohelp – Partner do Uneeq Consulting Group – Docente Universitário 

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