A privatização da TAP tem feito alguns cabeçalhos de jornais nos últimos anos. Nas últimas semanas o tema voltou às “luzes da ribalta”, muito possivelmente porque estando o mandato do atual governo a entrar no último ano este dossier tem que se fechar o quanto antes.

É um tema quente, em que é fácil opinar em qualquer um dos sentidos, pois se num dos lados teremos os que defendem que uma companhia área de bandeira é fundamental para a defesa dos interesses estratégicos nacionais na sua política de transportes e comunicações, no outro teremos os que argumentam que os custos inerentes ao funcionamento da TAP não devem estar dependentes do Estado, porque a “mão privada” poderia colocar muito mais capital na empresa do que o Estado algum vez poderá.

Apesar de não ter propriamente simpatia pela empresa em causa, tendo a certeza que o serviço prestado pela mesma deixa muito a desejar, consigo afastar estes sentimentos negativos e deixar a minha opinião sobre aquele que, a meu ver, deve ser o futuro da TAP.

Penso que a solução que se deve tomar está algures entre a privatização e o controlo estatal. O que quero dizer com isto é que as rotas comerciais (com algumas exceções), a manutenção das aeronaves, a gestão de aquisições, o edificado e os recursos humanos devem ser privatizados por forma a tornar a empresa mais competitiva e permitir as injeções de capital que lhe confiram força e capacidade de ombrear no mercado com as suas congéneres europeias. No entanto (aqui estão as exceções) as rotas de ligação à diáspora portuguesa, as ligações às ilhas, os voos domésticos devem continuar a ser geridos estrategicamente pelo Estado, mesmo que a determinado momento não sejam rentáveis.

Na minha opinião é neste equilíbrio entre público e privado que a TAP pode encontrar terreno para sobreviver e limpar a imagem que deixou neste verão, e ao mesmo tempo tornar-se suficientemente competitiva para evitar que as notícias à volta da empresa continuem a ser sobre prejuízos e incumprimentos, ao invés de lucro e aumento de postos de trabalho.

Valter Bação-Ferreira

CEO – Update Cities

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