A fase de consulta pública da Proposta de Definição de Âmbito do estudo de impacto ambiental do futuro terminal de contentores do Barreiro terminou na sexta-feira. O presidente da CM do Barreiro, em conferência de imprensa, defendeu que o projeto, a verificar-se, será “um importante contributo para o desenvolvimento económico do país” e reiterou que a ampliação da atividade portuária no concelho não inviabiliza a construção da Terceira Travessia do Tejo.

Nas próximas décadas está previsto um aumento muito significativo de transportes de contentores na Europa, particularmente quando o acordo entre a União Europeia, os Estados Unidos da América e o Canadá estiver ultimado. Nesse sentido, para Carlos Humberto é urgente que “o país se prepare para este novo ciclo”, para que a Área Metropolitana de Lisboa possa ser “uma referência à escala europeia” e se afirme, efetivamente, como uma “Cidade-Região”, acrescentando que o mar e a língua portuguesa podem ser, definitivamente, mais-valias no desenvolvimento económico de Portugal.

O presidente do município sublinhou que o futuro porto de águas profundas deve ser analisado “numa perspetiva alargada” porque os impactos da atividade pretendida extravasam, largamente, a zona portuária e o terminal terá associada uma área anexa – designada de Área Logística Industrial Anexa (ALITA) – de 300 hectares que “pode voltar a transformar-se num polo de riqueza nacional”.

“A localização de uma infraestrutura desta dimensão no Barreiro terá inerente impactos positivos e negativos, e é nossa responsabilidade fazer tudo o que esteja ao nosso alcance para potenciar os impactos positivos e reduzir ao mínimo os impactos negativos”, sublinhou o edil.

Carlos Humberto explicou que o parecer enviado pela autarquia para a Agência Portuguesa do Ambiente sobre a Proposta de Definição de Âmbito releva as preocupações da autarquia com questões ambientais. “É preciso garantir que tanto em fase de obra, como em fase de funcionamento do terminal as questões ambientais sejam precavidas, designadamente as referentes aos contaminados na zona anexa, ao que eventualmente possa existir no leito do rio”, explicou o responsável máximo da autarquia do Barreiro, afiançando que “é preciso construir por razões ambientais e urbanas um conjunto de corredores verdes”.

Em relação às acessibilidades, Carlos Humberto alertou que um projeto com a dimensão do terminal de contentores deverá ver acauteladas as questões do aumento de tráfego, pelo que será necessário o reforço das acessibilidades, designadamente no IC21, admitindo, no entanto, a eventualidade de existir “um canal dedicado ao porto”.

“É indispensável existir acessos que liguem os territórios do Arco Ribeirinho Sul e que, consequentemente, potencializem a atividade empresarial, por isso defendemos que é preciso construir a ponte para o Seixal e, posteriormente, terminar o troço que falta para Almada, bem como concretizar o que falta da CREM – Circular Regional Externa da Moita”, afiançou o autarca, reiterando que deve, ainda, ser estudada uma ligação Barreiro/ Montijo/ Ponte Vasco da Gama”.

No que respeita aos acessos ferroviários, Carlos Humberto explicou que estão em análise duas soluções: a utilização do ramal existente até à Estação Barreiro-Mar de onde irá partir em direção ao terminal; ou a utilização do canal anteriormente previsto para a Terceira Travessia do Tejo, ou seja, que ao chegar à Estação do Lavradio penetre, diretamente, para o território da Baía do Tejo, acrescentando que a autarquia defende “a solução que estava estudada para a TTT” e afasta a outra hipótese “pelos impactos que tem no território”.

O presidente da Câmara Municipal do Barreiro aproveitou ainda para esclarecer que “todos os estudos que estão a ser feitos – quer pela administração central, quer pela autarquia – incluem o corredor da Terceira Travessia do Tejo”.

No parecer enviado pela autarquia à Agência Portuguesa do Ambiente sobre a Proposta de Definição de Âmbito, a autarquia defende que “o trabalho de estudo e avaliação não deverá ficar cingido, apenas, à área de terrapleno a conquistar ao Rio, uma vez que os impactos da atividade pretendida extravasam, largamente, a zona portuária”.

Para o município, o projeto deve ser, simultaneamente, “potenciador de condições para o investimento, fixação de empresas, geração de emprego direto na atividade portuária, bem como emprego indireto através de atividades complementares e secundárias, e uma oportunidade para a promoção da coesão territorial, para a salvaguarda da qualificação da cidade e para a correta integração desta atividade no território”.