O debate sobre “A importância da Plataforma Multimodal do Barreiro no Sistema Portuário Nacional. Os Impactos Económicos na Região e no Concelho” realizado ontem, 14 de abril, decorreu de forma muito participada. Dezenas de pessoas encheram a sala de sessões dos Paços do Concelho, numa sessão onde não faltaram questões e contributos e na qual se concluiu que o projeto é determinante para o desenvolvimento do Concelho do Barreiro, da Região e do País.

Esta iniciativa está integrada no ciclo “Plataforma Multimodal do Barreiro/ Terminal de Contentores – Visão e Futuro promovido pela Câmara Municipal do Barreiro (CMB), Administração do Porto de Lisboa (APL), Estradas de Portugal (EP), REFER e Baía do Tejo (BT).

O debate foi moderado pelo Almirante Álvaro Gaspar e contou com as intervenções do Presidente do Conselho Diretivo do IMT – Instituto da Mobilidade e dos Transportes, João Carvalho, da Presidente do Conselho de Administração da APL, Marina Ferreira, do Presidente do Conselho de Administração da Baía do Tejo, Jacinto Pereira e do Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto de Carvalho.

“Esta é uma caminhada que todos desejamos que possa trazer à nossa Terra desenvolvimento, modernidade e emprego”, foi desta forma que o Almirante Álvaro Gaspar deu início ao debate, enaltecendo que apesar de o projeto ser “ambicioso e complexo” a população “não deve ter qualquer receio”, desde que os organismos envolvidos continuem “a dar passos seguros na direção correta” e, acima de tudo, “convictos que o Barreiro é o melhor local”.

Na sua intervenção, João Carvalho contextualizou a atual situação do comércio marítimo no qual Portugal se insere. “A dimensão marítima do corredor Atlântico da rede transeuropeia de transportes será influenciada por três fatores: o alargamento do canal do Panamá; o aumento da dimensão média do porte dos navios e o crescimento da taxa de contentorização. Originando o aumento dos portos marítimos”. Apesar da crise económica e financeira de Portugal, João Carvalho salientou que “a movimentação portuária teve um crescimento sólido nos últimos cinco anos”.

O responsável do IMT enalteceu, ainda, que está em curso uma reforma do sistema portuário, que resultará numa política económica portuária articulada que estimulará a economia dos portos.

João Carvalho relembrou que a Plataforma Multimodal do Porto de Lisboa, (no qual se insere o Terminal de Contentores no Barreiro), é um projeto coordenado pela APL, com a cooperação das Câmaras Municipais do Barreiro e Seixal, Baía do Tejo, Estradas de Portugal e REFER. O investimento global previsto é de 700 milhões de euros, numa área logística de cerca de 400 hectares, nas áreas do Barreiro e Seixal.

“Temos que explicar a todos os velhos do Restelo que a margem norte está saturada e perto do limite e que o desenvolvimento terá que ser na margem sul. Apresentámos uma candidatura a Bruxelas de 6,5 milhões para efetuar os estudos necessários sobre o novo terminal no Barreiro”, afirmou.

O responsável referiu que, nesta fase, foram apresentadas candidaturas a fundos comunitários por parte dos vários estados-membros, explicando que aguardam pelo resultado.

O Terminal de Contentores no Barreiro, segundo João Carvalho, só será viável se houver privados interessados. O investimento público, segundo ele, far-se-á só nas acessibilidades.

Na fase de debate foram colocadas diversas questões, entre elas: “O que é uma comunidade portuária? Quais os seus impactos económicos, ou o que está previsto para o escoamento do trânsito rodoviário e ferroviário?”

Em resposta, Marina Ferreira informou que foi encomendado ao professor Augusto Mateus um estudo sobre o impacto socioeconómico de um Porto na Área Metropolitana e no Pais. Apesar de não haver um modelo padrão internacional, cada País e cada Área Metropolitana tem o seu modelo. “Um dos desafios foi o de estudar os diferentes modelos e propor um de forma realista e adequada ao Porto de Lisboa”, explicou.

Em relação ao emprego direto, adiantou dados que preveem, em média, entre 600 a 700 postos de trabalho diretos. Ao nível estratégico, está em fase de discussão a área do território da Baía do Tejo, na medida em que esta poderá ser uma área ligada à tecnologia, tal como é hoje a Fisipe, “poderemos ter indústrias com cariz tecnológico, inovador e industrias associadas à logística fortemente exportadoras”.

No que se refere às acessibilidades, Marina Ferreira explicou que existem infraestruturas já no terreno que terão de ser “alavancadas”, nomeadamente a ferrovia que “ficará ligada ao corredor atlântico ao ‘corredor amarelo’ das redes transeuropeias de transportes, que já cá está é uma mais-valia do Barreiro, como também a proximidade do Barreiro das boas ligações rodoviárias para sul e para a Ponte Vasco da Gama”.

“Que impacto terá este projeto na economia do Barreiro?”

Por sua vez, Jacinto Pereira referiu que apesar dos resultados negativos dos anos 2011 e 2012, ao nível da fixação de empresas no parque, a tendência inverteu-se e em 2014 o saldo já foi positivo. Desde que se tornou publica a possibilidade de instalação do Terminal, aumentou o interesse das empresas nacionais e internacionais no território da Baía do Tejo.

“Um dos fatores preponderantes para a instalação deste o Terminal no Barreiro é de este ser um polo de desenvolvimento da economia local, regional e nacional”, defendeu o responsável da Baía do Tejo.

Estratégia de desenvolvimento sustentado

A estratégia de um desenvolvimento integrado e sustentado para o País, a Região e o Concelho une, segundo o presidente da CMB, todas as entidades envolvidas neste projeto.

“Não conseguimos atingir esse desenvolvimento que queremos se não aumentarmos a nossa capacidade produtiva, de riqueza e de criação emprego”, asseverou.

O edil recordou que que ao longo dos tempos “sempre houve atividade portuária no Barreiro adaptada a cada momento histórico”, e ainda hoje há “um porto e dois terminais”.

“Nos estudos que temos com a APL já prevíamos a atividade portuária e um aterro, a diferença está na dimensão do que se prevê construir”, esclareceu.

A visão da CMB e dos parceiros que assinaram os vários protocolos e é a de que o futuro terminal de contentores não será “apenas um porto”, mas uma “plataforma logística, industrial e tecnológica”, que “ajude a dinamizar os rios como fonte de atividade portuária, logística, industrial e tecnológica, mas também de desporto, de cultura, de lazer, de recuperação das margens, de História e de património”.

O próximo debate está agendado para 26 de maio. As restantes iniciativas irão trazer ao Barreiro nomes reconhecidos ligados à área, sendo que o ciclo de debates se prolongará até julho.

 

Fonte: CMB

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