O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, abordou esta quinta-feira, durante as Opções Participadas, no Sporting Clube Lavradiense, a eventual instalação no concelho do Porto de Contentores, que irá localizar-se, se a obra avançar, entre o atual Terminal de Líquidos e o antigo Cais da CUF.

Carlos Humberto acredita que o Terminal de Contentores poderá ser a “alavanca de desenvolvimento económico” que o Barreiro necessita, depois de a cidade ter perdido, nos últimos anos, “20 mil habitantes”. “Nós não queremos apenas um Porto, queremos que aquele território seja transformado numa plataforma logística, portuária, industrial e tecnológica”, acrescentou o autarca.

Para o edil, a eventual instalação do Terminal de Contentores será “algo importantíssimo” em termos de promoção de emprego no concelho, uma vez que para além das centenas de postos de trabalho que o Porto poderá gerar será também um fator influente na captação de outras empresas para o Barreiro.

Contudo, Carlos Humberto realçou que o Terminal tem “vantagens”, mas também “desvantagens” e que a CM do Barreiro não quer a instalação do porto “a todo o custo”, por isso será necessário esclarecer algumas questões antes da decisão final, designadamente “se é possível construir um porto, com estas dimensões, na cidade”, de acordo com o autarca os técnicos garantem que é possível desde que a cala do Montijo, que atualmente tem cerca de nove metros, passe a ter 16 metros de profundidade, um processo, relativamente simples, que “não exige muita manutenção”.

Relativamente aos problemas ambientais que a instalação poderá causar, o presidente da autarquia referiu que os estudos prévios apontam que a concretização do Porto “resolverá, inclusivamente, parte dos problemas ambientais existentes no território da Quimiparque”.

Os estudos prévios apontam para que caso o Terminal seja instalado no Barreiro, a cidade receba diariamente cerca de 300 composições de comboios e a cada minuto e meio um camião, o que, de acordo com o edil, torna necessária a “construção de novas vias de acessibilidade”, nomeadamente “a ponte Barreiro – Seixal” e “uma ligação direta do Barreiro para a ponte Vasco da Gama”.

A propósito das tomadas de posição públicas da Comunidade Portuária de Lisboa e, mais recentemente, da Comunidade Portuária de Setúbal contra a instalação do Terminal do Barreiro, Carlos Humberto referiu que era natural que uma infraestrutura destas que tem um investimento previsto – sem acessibilidades – de 600 milhões de euros desencadeie “diversas opiniões a favor e contra”.

“O melhor é não vir para o Barreiro e ficar em Setúbal, o melhor é não vir para o Barreiro e ficar em Lisboa, o melhor é não vir para o Barreiro e ficar em Sines, a nossa posição é que o país precisa de um porto na Área Metropolitana de Lisboa em condições. Lisboa atualmente não está em condições de receber o Porto, nós disponibilizamo-nos para que o Porto ou uma parte do Porto venha para o Barreiro”, acrescentou, enaltecendo que o que é realmente necessário “é que os portos de Lisboa, Setúbal, Barreiro e Sines, em vez de andarem a disputar coisas uns com os outros, articulem posições”.

Carlos Humberto recordou ainda que a dinamização da “atividade portuária no Barreiro é algo que a autarquia defende há muito tempo”, inclusivamente que estava incluída no plano de urbanização da Quimiparque no âmbito da construção da Terceira Travessia do Tejo.

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