O presidente do Instituto de Reabilitação Urbana (IHRU), Vítor Reis, vincou que a ampliação da atividade portuária no Barreiro é “uma oportunidade económica única” que tornará o concelho “autossuficiente em termos populacionais e urbanos”.

De acordo com Vítor Reis, a freguesia do Barreiro tinha em 2011 cerca de 14,75% do parque habitacional vazio. “Este investimento [Terminal de Contentores] vai trazer muitos postos de trabalho e vai fazer a diferença na criação de valores nesta região porque as pessoas irão, certamente, procurar ter o seu alojamento o mais próximo possível do local de trabalho”, afirmou o responsável do IHRU, acrescentando que esta é a “oportunidade” de o Barreiro “fazer dois em um”, ou seja, “fazer a resposta em termos de reabilitação urbana e fazer uma oferta habitacional de caracter único associada a uma operação que do ponto de vista económico vai trazer uma enorme vitalidade à cidade”.

O Instituto de Reabilitação Urbana vai lançar, em breve, um conjunto de instrumentos financeiros para fomentar a reabilitação urbana. O responsável adiantou que os instrumentos financeiros serão dirigidos para a “reabilitação integral dos edifícios” destinados ao “arrendamento” que obrigatoriamente terá de obedecer ao regime de renda condicionada.

“A partir do momento que vamos conceder empréstimos a 15 anos com taxas de juros muito baixas, exigimos que do lado do senhorio haja um retorno em termos sociais, ou seja, ele terá que praticar o regime de renda condicionada, um regime de renda perfeitamente acessível à maior parte das famílias”, explicou, assegurando que este regime “diferente da renda social” permite que o senhorio tenha “um claro retorno”.

Vítor Reis aconselhou os presentes na conferência subordinada ao tema “Reabilitação Urbana – Um desafio de todos para todos”, promovida pela Associação de Proprietários do Barreiro, a “preparar já o projeto de reabilitação de forma a que o custo por metro quadrado não ultrapasse os 700 euros”, garantindo deste modo que a “operação não é insustentável em termos financeiros”.

O presidente do IHRU recordou que “há 25 anos Portugal tinha um défice habitacional de cerca de meio milhão de habituações”, no entanto, em 2011, os Censos revelaram que “em Portugal existiam 737 mil casas vazias e cerca de 73% da população tinha habitação própria”, ainda assim “o problema do acesso das famílias à habitação não foi resolvido”. “Já não temos falta de casas, pelo contrário, temos mais casas do que famílias para as habitar”, rematou.

O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, referiu que, no que diz respeito à iniciativa privada, o novo quadro comunitário estabelece que “não há fundo perdido e há instrumentos financeiros, ainda que bonificados” o que pode ter “algum significado”.

“No caso específico do Barreiro, para reabilitar os edifícios as pessoas terão, maioritariamente, que pedir empréstimos e, consequentemente pagá-los, mas a verdade é que uma parte dos proprietários do Barreiro confrontam-se, atualmente, com sérias dificuldades”, explicou o autarca.

Para o edil, “o país não pode continuar a construir novo deve privilegiar e fomentar a reabilitação urbana”, de outra forma, “poderá estar daqui a 20 anos a decidir demolir edifícios”.

João Gouveia, presidente da Associação de Proprietários do Barreiro, acentuou a “relevância da conferência”, numa altura em que a reabilitação urbana “está, efetivamente, na moda” e que o setor do arrendamento assume-se como “um setor extremamente interessante para investir”.

“As Associações têm um papel cada vez mais importante na sociedade e, por isso, devem ser ouvidas e assumirem um papel efetivamente interventivo”, enalteceu o responsável da APB.

Recorde-se que, no passado dia 5 de fevereiro foi assinado entre a Associação de Proprietários do Barreiro e a Câmara Municipal do Barreiro um Protocolo de Cooperação que pretende promover “a divulgação dos programas de reabilitação urbana de âmbito municipal e nacional, dos incentivos municipais e dos benefícios fiscais incidentes sobre o imobiliário sediado no Concelho, junto dos associados da APB”.