O artista Tolentino Abegoaria, conhecido por “Tolentino de Lagos”, que concebeu e executou o Monumento ao Fuzileiro, edificado na Praça dos Fuzileiros desde 02 de julho de 2011, esteve esta manhã no Barreiro a recolocar a estátua e admitiu, em exclusivo ao Distritonline, que “há fortes indícios que sustentam a convicção de que o monumento foi, efetivamente, vandalizado”.

Depois de analisar a parte de cima da escultura, o escultor, natural de Lagos, admitiu que tinha “sérias dúvidas” – mesmo sem ver a outra metade – que a peça tivesse “descolado”, como chegou a ser avançado, uma vez que “as colagens são efetuadas para suportar um peso, em média, de 10kg por centímetro quadrado” e, por outro lado, a “peça está numa posição quase vertical, ou seja, quando as peças têm um ângulo de inclinação maior a própria ação do tempo favorece o desgaste, o que não é o caso”.

“A parte de cima do encaixe é um encaixe macho que vai apanhar a estrutura toda da segunda metade, é um encaixe similar ao dos vasos que estão na parte de cima dos prédios, e alguns vasos permanecem intactos nos prédios por mais de 100 anos”, explicou Tolentino de Lagos, acrescentando que ainda assim “nada é impossível”.

Contudo, depois de estar esta manhã no local e, constatar que o pé da estátua que está em cima do Bote estava partido, e que o Bornal – saco que o fuzileiro transporta – não tinha descolado da parede, existindo, inclusivamente, para além de parte do Bornal na parede, estilhaços da peça dentro do bote, “as dúvidas deram lugar a uma convicção”.

Para Tolentino de Lagos “apesar de a estátua ser feita em fibra de vidro, engana muito bem e é, facilmente, confundida com bronze” e esse facto pode estar na origem do incidente.

A Associação de Fuzileiros do Barreiro anunciou, em primeira mão ao Distritonline, na sequência dos indícios encontrados esta manhã que na opinião de Tolentino de Lagos apontam para a tese de que a estátua terá sido vandalizada, que irá – provavelmente em conjunto com a autarquia do Barreiro – avançar com uma queixa-crime contra desconhecidos, uma vez que desconhecem-se, até à data, os autores do, provável, ato de vandalismo.

Recorde-se que, Este “Monumento” pretende representar o mote dos Fuzileiros “… do mar p’rá terra, desembarcar, ao assalto, …”. Vislumbra-se, em perspetiva, a silhueta de um navio de guerra que, pairando a distância adequada, faz a cobertura do desembarque materializando assim a ligação dos Fuzileiros à Marinha no cumprimento da sua missão.