A organização surgiu este ano, pelas mãos de quatro colegas que tinham ideais em comum, e visa mudar, a nível mundial, a forma como vivenciamos as cidades. As cidades estão presentes em todo o mundo e o mundo está agora de olhos postos nesta nova ONG portuguesa, particularmente os EUA, o Brasil, a Rússia, Israel e a Inglaterra.

“Muda o futuro, desafia a realidade” é o mote da Update Cities – Associação Para o Desenvolvimento. Simples, curioso e intrigante, mas como se pôde desafiar a realidade? Foi exatamente isso que o Distritonline descobriu junto de um dos fundadores da organização sedeada na Aldeia de Paio Pires, no Seixal.

Valter Bação-Ferreira explicou que o segredo é ter a utopia como linha do horizonte, ou seja, “primeiro pensa-se na utopia, depois desce-se alguns degraus até tornar a ideia exequível”, o objetivo é “ultrapassar o pensamento comum” e “ir mais além”, num ambiente de cocriação, onde não existe uma separação clara entre os conceitos de nós-cidade, nós-cidadãos.

Para o fundador, um dos maiores desafios da Update Cities é “vencer a barreira do anonimato e da abstenção de participação das pessoas”. “As pessoas têm de sair do casulo, abandonar a reclamação simples nas redes sociais e trabalharem em conjunto para que as coisas possam, verdadeiramente, mudar. O nosso objetivo é trazer a rede social para a rua, fazer com que a teia de relações surja na cidade e não cada um fechado no seu apartamento”, explicou.

A crise económica e social que abalou Portugal pôde, segundo o fundador, por um lado facilitar a adesão das pessoas ao conceito, mas por outro lado atrasar essa adesão, uma vez que a crise gerou um “descontentamento generalizado na população”, bem como uma maior “vontade de mudança”, o que por si funciona como uma “janela de oportunidade”, ameaçada pelo facto de as pessoas encontrarem-se, presentemente, “desacreditadas de tudo e de todos”, sendo por isso mais difícil a uma nova empresa “ganhar capital de confiança”.

Em termos práticos a organização, de acordo com o responsável, pretende “apoiar as cidades a montarem projetos de participação cidadã”, criar “programas de simplificação que visem reduzir a burocracia” e implementar nas cidades “sistemas de informação que permitam que a tomada de decisão seja mais rápida e mais próxima das necessidades reais dos cidadãos”. Apesar do pouco tempo de existência, a Update Cities tem “vários projetos prontos a sair da gaveta” à espera da aprovação da Comissão Europeia, dois dos quais no distrito de Setúbal.

Valter Bação-Ferreira adiantou que um dos projetos procura dinamizar o comércio local, através da “criação de plataforma única de ligação entre os moradores e os comerciantes do bairro” que permitirá estreitar as relações e “evitar o encerramento dos estabelecimentos”.

As, prováveis, alterações legislativas de descentralização de competências da administração central para as administrações locais representam também para o fundador “uma janela de oportunidade”. A organização pretende “evitar que este desafio se perca” ou “fique reduzido à opinião de dois ou três pensantes”, dando oportunidade aos cidadãos de assumirem um papel ativo “na decisão de quais os serviços que devem ser descentralizados e de que forma é que poderão ser prestados à população”.

Valter Bação-Ferreira não tem dúvidas de que, qualquer programa participativo para ter sucesso tem de transmitir à população que está a decidir e não a ser meramente consultada, uma vez que os cidadãos mais do que “ouvidos” anseiam por ser “escutados”.

Fruto das ideias inovadoras que apresentam, a Update Cities foi, recentemente, convidada a apresentar as suas experiências de participação cidadã na PB Conference em Oakland, na Califórnia. O fundador espera que esta “oportunidade única” abra ainda mais portas à organização, a nível nacional e internacional.

Mais sobre a Update Cities:
A UC foi criada por quatro amigos: o Valter, que conta com larga experiência em processos de participação dos cidadãos e na criação de metodologias que visam trazer as pessoas para fora da rede virtual para a “rede real”; a Sandra, que conta no seu historial com inúmeros projetos de modernização e simplificação administrativa, assim como em projetos de implementação de sistemas de qualidade e melhoria contínua; o Hugo que tem desenvolvido um elevado número de projetos de escalabilidade de aplicações informáticas, promovendo sempre a interoperabilidade entre sistemas existentes e novas tecnologias, e o Ricardo que tem programado e desenhado um conjunto de websites e ferramentas que visam otimizar e facilitar o trabalho dos utilizadores, conta também no seu currículo com uma série de projetos ligados às telecomunicações.

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