A Câmara Municipal reprovou ontem, pela segunda vez no presente mandato, o Orçamento apresentado por Nuno Canta para o ano de 2017.

A CDU analisou em pormenor os documentos previsionais apresentados e denunciou a construção descaradamente eleitoralista e populista das previsões da gestão: À Divisão da Administração Organizacional seriam retirados 174.769,00 Euros, relativamente ao orçamento para este ano. Mais 239.421,00 seriam subtraídos à Divisão de Gestão Financeira e Patrimonial. Igual sangria foi proposta para a Divisão da Educação relativamente aos valores deste ano, menos 197.467€.

Demagogicamente, para a Divisão da Cultura, Biblioteca, Juventude e Desporto enviavam-se mais 195.379 € que no presente ano. A gestão em fim-de-ciclo tratava como tolos os cidadãos, e como interesseiros os órgãos sociais, associados e simpatizantes do Movimento Associativo e Popular, jogando dinheiro sobre o trabalho voluntário, cívico, dos dirigentes e seccionistas associativos, como se a sua consciência e o seu voto fossem um “mercado” …

Por outro lado, tendo diminuído ligeiramente a previsão das receitas e despesas, de 25.809.188,00 € para 25.494.180,00 €, de 2016 para 2017, a Divisão de Obras, Serviços Urbanos, Ambiente e Qualidade de Vida passaria de 7.280.901,00 € para 7.446.426,00 €, ou seja, receberia mais 165.525 € …

A febre eleitoral, que nunca parou desde 29 de setembro de 2013, transferiria estes recursos financeiros para terceiros e obras de fachada. Milhões que não serviriam para aproximar a “máquina municipal” das freguesias rurais, para dotar o pessoal de instalações dignas, de recursos físicos e logísticos adequados. Recursos que não valorizariam nem galvanizariam os trabalhadores municipais, para prestar serviço público e para defender e honrar o municipalismo.

A CDU justificou, assim, a sua votação de reprovação do Orçamento, eleitoralista e populista, recusando viabilizar um programa, uma ideia e uma prática a que não adere, honrando o voto e a expectativa dos que nela depositam confiança e a vontade expressa do regresso de Montijo à sua glória mas, igualmente, honrando e respeitando todos os cidadãos, votantes ou não, de distintas orientações e sensibilidades políticas, que acima de diferenças naturais e democraticamente assumidas, se habituaram a caracterizar a intervenção desta coligação como de TRABALHO, HONESTIDADE E COMPETÊNCIA.