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Um manifesto subscrito por dezenas de docentes do ensino superior em Portugal pede a proibição do uso de ferramentas de **inteligência artificial generativa** em contextos de avaliação e aprendizagem. Os signatários alertam para impactos onde, dizem, se perdem capacidade crítica dos estudantes e se fragiliza a confiança nos processos académicos.
O texto, divulgado recentemente, reúne professores de várias universidades e politécnicos e defende medidas imediatas nas instituições de ensino. Segundo os promotores, a tecnologia está a transformar tarefas académicas em produtos indistintos, dificultando a distinção entre trabalho legítimo e material produzido por algoritmos.
O que reivindica o manifesto
Os autores apresentam um conjunto de exigências e preocupações que, segundo eles, justificam uma ação rápida por parte das instituições:
- Adopção de uma **proibição** do uso de sistemas geradores de texto e conteúdos em atividades avaliadas;
- Revisão dos métodos de avaliação para privilegiar competências que não possam ser replicadas por IA;
- Formação de docentes para detecção de práticas academicamente fraudulentas associadas a IA;
- Promoção de práticas pedagógicas que revertam a perda de autonomia crítica dos estudantes;
- Criação de códigos de conduta institucionais e de sanções claras para violações.
Os signatários afirmam ainda que, sem medidas, haverá um afundamento progressivo da qualidade académica e um aumento das dificuldades em identificar comportamentos desonestos.
Reações e implicações
A proposta já desencadeou um debate no meio académico. Para alguns responsáveis, uma proibição estrita pode ser difícil de aplicar e correr o risco de empurrar o recurso às ferramentas para uma esfera informal e menos transparente.
Especialistas em ensino superior sublinham duas consequências imediatas: a necessidade de redesenhar avaliações e a inevitabilidade de preparar os alunos para um ambiente profissional onde a **IA** será cada vez mais presente. Assim, a questão coloca-se entre proteger a **integridade académica** e capacitar os estudantes para o mercado de trabalho.
Há também preocupações práticas: detectar conteúdo gerado por IA não é uma ciência exata, e medidas punitivas sem alternativas pedagógicas sólidas podem prejudicar relações de confiança entre professores e alunos.
Alternativas apontadas
Entre propostas complementares ao veto, observam-se caminhos menos binários que visam conciliar segurança e inovação:
- Integrar ferramentas digitais no currículo, ensinando literacia e uso crítico da IA;
- Adotar avaliações orais, portfólios e trabalhos práticos menos suscetíveis à automatização;
- Desenvolver políticas institucionais claras, com apoio jurídico e técnico para aplicação;
- Investir em formação dos docentes sobre novas metodologias avaliativas.
Cada opção tem custos e benefícios: limitar o uso pode proteger padrões académicos a curto prazo, enquanto integrar a tecnologia exige investimento e mudança cultural.
Nos próximos dias espera-se que várias universidades e politécnicos avaliem o manifesto e abram espaço para consultas internas. O debate promete definir, em breve, orientações que podem alterar rotinas de ensino, exames e avaliação em todo o país — com impacto direto nos estudantes e na reputação das instituições.












