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Na cidade de Coimbra, durante um ato de campanha neste domingo, o candidato presidencial André Pestana propôs que o Exército seja colocado a combater os incêndios florestais e que a limpeza das matas seja feita já no inverno. A declaração surge no início da temporada de incêndios e promete alimentar o debate sobre responsabilidades e custos no combate aos fogos.
Pestana falou com apoiantes no Mercadinho da Margem Esquerda, na Alameda do UC Exploratório, onde também se cruzou com a comitiva de Catarina Martins. Para o candidato, apagar incêndios não pode continuar a depender sobretudo de empresas privadas contratadas a preços elevados quando existem recursos estatais que poderiam ser aproveitados.
Propostas centrais e argumentos
O núcleo das propostas do candidato concentra-se em três medidas práticas e numa crítica aos modelos atuais de contratação:
- Mobilização das Forças Armadas — utilizar meios militares, incluindo a aviação, para intervenção durante o pico do verão, com o objetivo de proteger populações e bens.
- Limpeza das matas no período frio — antecipar os trabalhos de gestão de combustível vegetal para reduzir a probabilidade e a intensidade dos incêndios.
- Reforço dos recursos humanos locais — repor guardas-florestais e promover práticas tradicionais como a pastorícia para reduzir biomassa.
- Revisão dos contratos com operadores privados, citando o elevado custo horário de aeronaves alugadas.
Segundo Pestana, a combinação dessas ações permitiria poupar recursos públicos e aumentar a eficácia da resposta. Ele apelou ainda ao Presidente da República para assumir um papel mais ativo, lembrando que o cargo é o de comandante supremo das Forças Armadas.
Implicações práticas e críticas possíveis
Transformar a proposta em política pública implica enfrentar obstáculos legais e operacionais. O emprego de militares em missões de proteção civil exige coordenação clara com autoridades civis, formação específica e regras de atuação bem definidas.
Há também um debate orçamentário: a redução de gastos com contratos externos poderá vir acompanhada de custos iniciais para adaptar meios militares a tarefas de combate a incêndios e para reforçar estruturas de prevenção durante o inverno.
Especialistas em proteção civil costumam sublinhar que a prevenção exige uma combinação de medidas — gestão de combustíveis, vigilância, capacitação local e resposta rápida — e que cada solução traz desafios próprios.
O que muda para o cidadão
Se implementadas, as medidas anunciadas teriam efeitos diretos sobre segurança e despesa pública:
- Maior presença de meios públicos nas operações de combate a incêndios, com potencial para reduzir tempos de resposta.
- Investimentos em limpeza e manutenção de espaços rurais fora da época de incêndios, o que pode diminuir o risco de grandes fogos.
- Alterações na dinâmica do mercado de prestação de serviços aéreos e terrestres no combate a fogos.
Para além dos impactos práticos, a proposta coloca no centro do debate eleitoral questões sobre prioridades do Estado, coordenação entre forças civis e militares e a transparência nos contratos públicos.
Nos próximos meses, com o verão a aproximar-se, a viabilidade técnica e política dessas propostas deverá ser objeto de análises mais detalhadas por parte de autoridades, agentes de proteção civil e especialistas em gestão de espaços naturais.












