Motoristas TVDE recebem apoio de associação e preparam protesto na próxima semana

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Motoristas de TVDE anunciam uma paralisação parcial nas manhãs da próxima semana que promete reduzir a disponibilidade de corridas, sobretudo em Lisboa e no Porto. A iniciativa volta a colocar no centro da discussão a perda de rendimento dos condutores e a urgência de rever a legislação do setor.

A Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD) declarou apoio aos profissionais e diz que os ganhos dos motoristas “têm vindo a degradar-se de forma contínua”, fruto de um modelo económico que favorece as plataformas. Ao mesmo tempo, a organização alerta para limites práticos da ação, ligados ao excesso de veículos em relação à procura.

O que está programado

O protesto, organizado pelo Movimento Cívico Somos TVDE, começa na segunda-feira e prolonga-se até dia 24 de janeiro. Durante as manhãs, entre as 7h00 e as 10h00, os condutores vão desligar alternadamente as aplicações das duas maiores plataformas: Uber e Bolt.

  • Segunda, quarta e sexta: desligamento da Uber;
  • Terça, quinta e sábado: desligamento da Bolt;
  • Horário: 07:00–10:00;
  • Local: ação nacional com maior impacto previsto nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto;
  • Objetivo declarado: protesto contra a ausência de regulação e por melhores condições de trabalho.

Fernando Vilhais, coordenador do movimento, esclareceu que os motoristas não pretendem suspender totalmente a atividade: a ideia é desligar uma plataforma por dia, mantendo a possibilidade de operar pela outra. A mensagem central circulou nas comunicações do grupo: sem motoristas, diminui ou desaparece a oferta de viagens.

Em resposta, a APTAD reafirma solidariedade e pede mudanças legais imediatas. A associação aponta que só uma alteração estruturante na legislação do TVDE — nomeadamente medidas que equilibrem oferta e procura — permitirá recuperar ganhos e tornar o setor sustentável.

Dados e limites do impacto

Segundo relatórios da própria APTAD e números oficiais do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), a taxa de ocupação dos veículos TVDE está abaixo de 50% ao longo do ano e desce para cerca de 35% em janeiro. Essa diferença indica que existem mais automóveis do que viagens a realizar, o que reduz a capacidade de uma ação localizada provocar falhas generalizadas nas plataformas.

Na prática, acrescenta a associação, apenas uma adesão muito elevada — com dezenas de milhares de veículos desligados simultaneamente — poderia causar perturbações reais nos serviços da Uber e da Bolt. Nesse contexto, a própria composição do setor (mais de 35 mil veículos, segundo a APTAD) torna complexo organizar uma paralisação massiva.

Os motoristas e a APTAD responsabilizam também as plataformas por uma política de redução de preços que, afirmam, é usada para ganhar quota de mercado à custa do esforço laboral dos condutores. Enquanto esse modelo permanecer, dizem, os rendimentos continuarão a cair.

Consequências políticas e pedido ao Governo

A APTAD recorda que uma revisão da Lei do TVDE havia sido prometida para o final de 2025 e exige que o Executivo avance com as alterações sem mais demora. Para a associação, cada dia sem intervenção legislativa representa “mais lucro para as plataformas e mais precariedade para os motoristas”.

O apelo é por medidas que restrinjam a oferta excessiva e que valorizem operadores e condutores: só assim, dizem, será possível recompor o equilíbrio económico do setor e assegurar rendimentos dignos.

Para quem utiliza serviços de TVDE, o sinal mais imediato é a possibilidade de menor disponibilidade de carros nas manhãs da próxima semana nas grandes cidades. Para o setor, a ação reacende a pressão sobre o Governo para acelerar decisões regulatórias que podem alterar a dinâmica entre plataformas, motoristas e clientes.

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