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O chefe executivo da Ryanair revelou, esta quarta‑feira, que a companhia vai aumentar os hangares de manutenção no Porto e reforçar investimentos em Portugal — anúncio que chega num momento de tensão pública com Elon Musk e que pode ter impacto direto em rotas, empregos e infraestruturas aeroportuárias no país.
Em declarações à Lusa, o CEO sublinhou que a presença da low cost em Portugal se intensifica em várias frentes: além da expansão técnica no norte, a Ryanair mantém um grande polo de tecnologia em Lisboa e planeia ampliar a sua frota baseada no país.
Expansão operacional e números
A companhia tem hoje 30 aeronaves sediadas em Portugal — repartidas por Faro, Porto, Lisboa e Funchal — e já contabiliza um investimento aproximado de 3 mil milhões de dólares no mercado nacional. O objetivo anunciado é duplicar a frota para 60 aviões, elevando o investimento total previsto para cerca de 6 mil milhões de dólares.
O reforço no Porto passa pela ampliação dos espaços de manutenção, enquanto o centro de desenvolvimento de tecnologias da informação continua em Lisboa, segundo o executivo.
- Base atual: 30 aviões (Faro, Porto, Lisboa, Funchal).
- Meta: 60 aviões e investimento equivalente ao dobro do atual.
- Infraestruturas: expansão de hangares no Porto; centro de TI em Lisboa.
- Distribuição destacada: 12 aviões em Faro e apenas 4 em Lisboa, hoje.
Capacidade aeroportuária e barreiras políticas
O CEO apontou a limitação da capacidade no aeroporto da Portela como o principal entrave ao crescimento em Lisboa. Segundo ele, a cidade tem espaço para crescer de forma muito mais acelerada, mas esbarra em restrições que, na sua visão, acabam por proteger a transportadora nacional.
Questionado sobre por que motivo Lisboa não consegue expandir a oferta, o responsável responsabilizou sucessivos governos pela falta de avanços — nomeadamente pela não abertura da operação do Montijo, uma medida que considerou essencial para libertar capacidade aérea.
Se a Ryanair pudesse aumentar o número de aviões baseados em Lisboa, a companhia estima que a capital poderia atingir mais de 40 milhões de passageiros nos próximos cinco anos, disse o executivo, sem apresentar um calendário concreto para essa evolução.
Relação com Elon Musk e domínio acionista
A troca de farpas com Elon Musk começou quando a Ryanair recusou equipar parte da sua frota com a rede de satélites Starlink. Em resposta, o bilionário sugeriu publicamente a compra da companhia aérea.
O CEO relembrou que a Ryanair é uma empresa cotada e que as ações estão livres para negociação nas bolsas dos EUA e da Europa, mas esclareceu um ponto relevante: como transportadora europeia, a companhia deve permanecer sob controlo majoritariamente europeu, o que limita a possibilidade de uma aquisição por parte de um não‑europeu.
Ainda assim, o gestor fez um comentário irónico: acolheria a entrada de Musk no quadro acionista, considerando que seria um bom investimento para ele e para os restantes acionistas — e insinuou que seria uma aplicação mais vantajosa do que alguns dos investimentos recentes do empresário.
O que muda para passageiros e para o país
Do ponto de vista prático, a expansão anunciada pode traduzir‑se em mais voos, maior oferta de destino e potenciais efeitos positivos no emprego e na cadeia de manutenção aeronáutica no norte de Portugal.
Ao mesmo tempo, a concretização desses benefícios depende de decisões políticas sobre capacidade aeroportuária e de autorizações para aumentar bases em Lisboa — factores que, por agora, mantêm o crescimento condicionado.
Principais pontos a acompanhar: decisão sobre o Montijo, execução das obras nos hangares do Porto, e a evolução do plano de baseamento de aeronaves da Ryanair em Portugal.












