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Maputo e a província de Gaza concentram, até agora, os efeitos mais severos das inundações que varrem o sul de Moçambique: centenas de famílias isoladas, infraestruturas críticas danificadas e um número crescente de vítimas. A crise obrigou o Governo a elevar o alerta e desencadeou contactos diplomáticos para apoio internacional imediato.
A Embaixada de Portugal em Maputo informou que mantém diálogo com as autoridades locais e parceiros externos para coordenar ajuda aos afetados pelas cheias. Segundo a representação diplomática, os esforços visam apoiar tanto iniciativas bilaterais como ações no âmbito da União Europeia.
O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) actualizou os números da época chuvosa: as mortes subiram para 112, há pessoas desaparecidas e dezenas de feridos. Os dados, cobrindo o período de 1 de outubro até 19 de janeiro, mostram um cenário de perda material e humana significativo.
- Pessoas afetadas: cerca de 645.781 indivíduos (≈ 122.863 famílias)
- Deslocados: mais de 70.000 retirados de áreas de risco; 69 centros de acolhimento ainda em funcionamento
- Habitações: aproximadamente 4.883 casas completamente destruídas e 11.233 danificadas
- Agricultura: 165.841 hectares afetados, com cerca de 73.695 hectares perdidos
- Infraestrutura: centenas de escolas e unidades de saúde afetadas; mais de 2.500 km de estradas com danos
O Governo declarou o país em alerta vermelho nacional na semana passada, enquanto as equipas de busca e salvamento mantêm operações nas áreas mais atingidas. Em várias localidades, famílias continuam presas em telhados, nas copas de árvores ou em veículos encalhados, dependendo de embarcações e helicópteros para serem retiradas.
Autoridades provinciais relatam que cerca de 40% da província de Gaza encontra-se submersa após o aumento das descargas em barragens, algumas geridas por países vizinhos. Em Maputo, as principais vias rodoviárias — a EN1 para o norte e a EN2 para o sul — permanecem bloqueadas pela inundação, complicando a logística de socorro.
Impactos imediatos e prioridades
Além das perdas humanas e materiais, a interrupção de serviços básicos preocupa especialistas. Unidades sanitárias e escolas afetadas reduzem o acesso a cuidados e educação; postes de energia tombados deixam comunidades sem eletricidade, aumentando o risco de surtos de doenças transmitidas pela água.
As consequências práticas para a população incluem dificuldade de acesso a medicamentos e alimentos, atraso nas colheitas e quebra de rendimentos para milhares de agricultores. O registro do INGD também indica a perda de dezenas de milhares de animais de criação, agravando a insegurança alimentar a médio prazo.
Coordenação e ajuda
Na segunda-feira foi instalado um centro nacional de coordenação no aeroporto de Xai-Xai, na província de Gaza, liderado pelo porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa. A estrutura visa centralizar pedidos de assistência, gerir recursos e articular intervenções entre forças nacionais e parceiros.
Fontes oficiais referem contactos com doadores e ONGs, bem como avaliação de necessidades para priorizar reparação de infraestruturas críticas — estradas, pontes e sistemas de água — e resposta humanitária imediata (abrigo, alimentos e saúde).
O quadro prático das ações em curso inclui:
- resgates e evacuações em comunidades isoladas;
- instalação e manutenção de centros de acolhimento para desalojados;
- avaliação de danos em infraestruturas essenciais para planeamento de reconstrução;
- coordenação internacional para fornecimento de bens e equipamentos de emergência.
Para o público afetado e para quem acompanha a situação de fora, a prioridade imediata é a restauração do acesso a serviços básicos e a proteção de vidas. Nos próximos dias, a evolução do nível das águas e as ações de descarga controlada nas barragens continuarão a determinar onde serão necessários reforços de socorro.
O impacto económico e social desta temporada de chuvas deverá persistir depois de as águas baixarem: estradas cortadas, escolas danificadas e plantações perdidas exigirão um plano de recuperação com investimentos consideráveis e atenção à segurança alimentar.
As autoridades pedem calma, atenção às orientações oficiais e cooperação das comunidades. A mobilização de ajudas externas, incluindo a atividade de embaixadas e organismos internacionais, será determinante para acelerar a resposta e reduzir os efeitos mais graves da catástrofe.












