Chuvas persistentes no sul de Moçambique deixaram comunidades isoladas e obrigam o Governo a priorizar a recuperação de acessos para entregar ajuda básica. A situação atual compromete abastecimento e evacuação em várias zonas, tornando a restauração de estradas uma urgência humanitária.
Autoridades estimam que cerca de 40% da província de Gaza esteja submersa após dias de precipitações intensas, com vários distritos de Maputo igualmente inundados e isolados. O Ministério dos Transportes e Logística relata danos severos na malha rodoviária nacional.
Uma primeira avaliação técnica apontou que pelo menos 152 km de estradas classificadas foram totalmente destruídos, enquanto mais de 3.000 km apresentam danos significativos. Além disso, vias não classificadas — já em condições precárias antes das cheias — tornaram‑se praticamente intransitáveis.
O ministro João Matlombe alertou para «zonas críticas» no sul do país e frisou a necessidade de intervenções rápidas para restabelecer corredores de socorro e logística. O objetivo imediato é recuperar trilhas e estradas para permitir o acesso de equipas de resgate e o envio de alimentos e medicamentos às famílias isoladas.
As consequências humanas são já expressivas: o Executivo aponta pelo menos 103 vítimas mortais e cerca de 173 mil pessoas afetadas desde o início da época chuvosa. Registou‑se também a destruição total de mais de 1.160 habitações e inundações parciais em outras 4.000 casas, fatos que motivaram a declaração de alerta vermelho nacional.
Equipes de emergência continuam a realizar operações de resgate — muitas famílias permanecem em telhados, veículos ou no topo de árvores — enquanto liberação de água em barragens, incluindo de países vizinhos, tem agravado a subida dos rios e o alagamento de áreas baixas.
Em Maputo, as principais vias de acesso estão comprometidas. A circulação na Estrada Nacional 1 (sentido norte) e na Estrada Nacional 2 (sentido sul) permanece interrompida devido ao nível da água, afetando logística e evacuações.
- Mortes confirmadas: 103
- Pessoas afetadas: cerca de 173.000
- Casas totalmente destruídas: 1.160+
- Casas parcialmente inundadas: 4.000+
- Estradas classificadas destruídas: 152 km
- Estradas classificadas afetadas: mais de 3.000 km
- Províncias mais críticas: Gaza, Maputo e Sofala
Para além dos trabalhos de emergência, as autoridades têm de planear soluções de médio prazo: recuperação de infraestruturas, reassentamento das populações mais vulneráveis e reforço da capacidade de resposta a enchentes. A rapidez na reposição dos acessos é determinante para evitar uma crise alimentar e sanitária mais ampla nas áreas afetadas.
O apelo do Governo é para coordenação imediata entre instituições públicas, organizações humanitárias e comunidades locais, com prioridade para pontos de retirada de água, restauração de pontes e corredores que facilitem a chegada de alimentos e insumos médicos.
A situação continua a evoluir e as autoridades prometem atualizações à medida que novas avaliações chegarem dos distritos atingidos. Enquanto isso, a prioridade permanece em alcançar populações inacessíveis e estabilizar a logística de socorro.












