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Brady Corbet desembarca num projeto ambicioso: um western pensado para um público adulto que atravessa 150 anos de história e entra em filmagens na próxima primavera, com cenários previstos em Portugal e na África do Sul. O anúncio chega num momento em que a carreira do realizador, celebrada pela nomeação de seu filme anterior aos Óscares, também lança perguntas sobre a sustentabilidade económica do cinema autoral.
O novo longa, com o título provisório The Origin of the World, foi descrito pela imprensa norte-americana como uma narrativa que parte do século XIX e avança até os dias de hoje. Corbet quer filmar parte da obra no raro formato de 70mm, apelando ao visual dos grandes épicos clássicos.
A trama ainda é mantida em grande parte em sigilo, mas relatos indicam que a história centra-se na trajetória da imigração chinesa e na dinâmica económica do norte da Califórnia ao longo de gerações. Em entrevista ao jornal The Guardian, no final de 2024, o cineasta caracterizou a proposta como “experimental” e disse que o projecto desafia convenções de género.
As filmagens devem começar na primavera e terão passagens por locações em Portugal e na África do Sul, segundo as fontes que avançaram a notícia. A escolha de países com infraestruturas de produção consolidadas facilita a recriação de diferentes épocas e paisagens num mesmo filme.
O que o anúncio revela sobre a indústria
O caso de Corbet expõe uma contradição: apesar de reconhecimento crítico — o seu filme anterior, O Brutalista, foi nomeado para categorias importantes dos Óscares de 2025 — o realizador afirmou publicamente que não recebeu ganhos diretos pela obra. Em conversa no podcast “WTF”, conduzido por Marc Maron, Corbet contou que teve de aceitar trabalhos publicitários em Portugal para arcar com despesas pessoais.
Essa realidade, segundo o próprio, não é isolada. Muitos cineastas dependem de rendimentos paralelos para cobrir a promoção prolongada dos seus filmes, uma atividade intensiva em tempo e frequentemente sem remuneração. A problemática põe em destaque como o sistema de festivais e venda de direitos pode não traduzir-se, imediatamente, em liquidez para os criadores.
| Item | Informação |
|---|---|
| Título | The Origin of the World (provisório) |
| Género | Western para público adulto |
| Período narrativo | 150 anos (século XIX até à atualidade) |
| Formato | 70mm (planeado) |
| Locais de filmagem | Portugal e África do Sul (previstos) |
| Temas centrais | Imigração chinesa e economia do norte da Califórnia |
| Calendário | Gravações começam na primavera |
| Contexto financeiro (filme anterior) | «O Brutalista»: orçamento de €9,4M; direitos vendidos por valor semelhante após Veneza 2024 |
O que acompanhar
- Escalação do elenco e se haverá nomes internacionais associados ao projeto.
- Decisões técnicas ligadas ao uso de 70mm e à preservação estética entre épocas.
- Like a estratégia de exibição em festivais e a calendarização de lançamento.
- Impacto económico para as regiões onde se filmará — sobretudo em Portugal, onde produções internacionais têm aumentado.
Além da curiosidade artística, o projeto de Corbet é relevante hoje porque expõe tensões estruturais do cinema contemporâneo: a valorização crítica nem sempre acompanha rendimentos pessoais imediatos, e escolhas técnicas ousadas — como filmar em 70mm — colocam desafios de mercado e logística. Para o público, a combinação de tema histórico e formato clássico promete uma experiência distinta; para a indústria, é um lembrete de que talento e reconhecimento nem sempre garantem sustentabilidade financeira.
Seguem-se as próximas atualizações: casting, início oficial das filmagens e datas de produção. A estreia do projeto, a forma como será distribuído e a receção crítica revelarão se a aposta de Corbet traduzirá ambição estética em sucesso duradouro.












