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A depressão meteorológica conhecida como Marta chega ao território continental na madrugada deste sábado e muda urgentemente o mapa de risco: chuva intensa promete elevar níveis de rios e provocar inundações rápidas em várias bacias fluviais, com impacto direto em populações já afetadas por recentes episódios severos. A combinação de chuva, vento forte e neve torna o fim de semana crítico para segurança pública e serviços essenciais.
Segundo a Proteção Civil, a tempestade vai entrar entre Sines e Lisboa e afeta com particular severidade os vales dos rios Sado, Tejo e Mondego, além de outras bacias do Centro e Sul. O comandante nacional alertou esta sexta-feira para um “quadro meteorológico extremamente preocupante”, pedindo máxima cautela às pessoas que vivem em áreas ribeirinhas e urbanas baixas.
Situação em números e impacto imediato
Até às 19h de sexta-feira, as autoridades confirmavam a retirada de cerca de 1.108 pessoas das suas habitações devido a inundações. A empresa de distribuição elétrica reportava aproximadamente 93 mil clientes sem corrente, a maioria concentrada no distrito de Leiria, onde o mau tempo tem sido persistente.
Em menos de duas semanas, o país contabiliza já 13 mortes ligadas às intempéries. A última vítima, um homem de 73 anos, morreu ao cair de um telhado em Ortigosa, concelho de Leiria — o quinto óbito registado durante tentativas de reparação de coberturas danificadas pelo vento.
Avisos do IPMA e principais riscos
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) ativou avisos que cobrem grande parte do continente para as próximas horas:
- Aviso laranja de precipitação para os distritos de Beja até Castelo Branco; Coimbra e Faro sob aviso amarelo.
- Aviso laranja para agitação marítima em todo o litoral, prolongado até domingo no Centro e Sul.
- Neve em alerta laranja em Braga, Bragança, Castelo Branco, Guarda, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu; Aveiro e Porto em aviso amarelo.
- Vento forte com avisos amarelos ou laranja na maior parte do território — rajadas nas serras poderão atingir até 120 km/h.
Com estas condições, a Proteção Civil reforça que existe um risco elevado de inundações nas bacias dos rios Vouga, Águeda, Mondego, Tejo, Sorraia e Sado. As autoridades pedem atenção especial para inundações rápidas em áreas urbanas, onde escoamento intenso pode transformar ruas em rios em pouco tempo.
Medidas e recomendações práticas
O Ministério do Ambiente e Energia afirma que a gestão dos caudais fluviais está a ser feita “minuto a minuto” para reduzir impactos e permitir evacuações coordenadas, se necessárias. Ainda assim, a proteção individual e comunitária continua a ser determinante.
- Evite atravessar áreas inundadas a pé ou de carro — a profundidade e a força da corrente podem ser subestimadas.
- Estacione longe de muros e taludes: a Proteção Civil alerta para o risco de derrocadas e deslizamentos em zonas de declive.
- Tenha disponível um kit de emergência (água, medicamentos, carregador, documentos) e procedimentos definidos para evacuacão rápida.
- Desligue eletricidade e gás se a sua casa começar a inundar e siga as instruções das autoridades locais.
Além das recomendações gerais, as autoridades locais e serviços de emergência publicam avisos pontuais que devem ser seguidos à letra — principalmente em áreas já sujeitas a cortes de energia ou com acessos comprometidos.
O que acompanhar nas próximas horas
Os leitores devem acompanhar atualizações do IPMA, alertas da Proteção Civil e avisos municipais, sobretudo se estiverem nas bacias mais vulneráveis ou em zonas costeiras. A persistência das chuvas e as rajadas de vento podem provocar danos adicionais a estruturas já fragilizadas pelas últimas semanas de mau tempo.
Em resumo: a chegada da depressão Marta altera o quadro de risco no fim de semana e exige atenção imediata — para reduzir prejuízos e salvar vidas, as medidas preventivas individuais e coletivas são agora determinantes.












