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O líder político Venâncio Mondlane responsabilizou o Estado pela pior gestão das medidas de prevenção às cheias em Moçambique e pediu ações legais contra responsáveis públicos, enquanto milhares de famílias seguem em situação de risco. A acusação chega em meio a novos alertas meteorológicos e à multiplicação de pedidos de abrigo e ajuda imediata.
Em conferência realizada em Maputo, Mondlane afirmou que as recorrentes perdas humanas e materiais ligadas às chuvas são consequência de uma combinação de má governação, falhas de gestão e, segundo ele, desvios de recursos destinados à redução de riscos.
Segundo o político, fundos internacionais e nacionais destinados a planeamento e obras de mitigação foram aplicados de forma irregular ao longo das últimas duas décadas. Ele exigiu responsabilização criminal dos gestores que, na sua visão, teriam apropriado ou mal destinado esses recursos.
Além da crítica às autoridades, Mondlane anunciou medidas práticas do seu partido: as sedes e delegações, inclusive em distritos e localidades, funcionarão temporariamente como centros de acolhimento para afetados pelas inundações. O comando partidário pretende também apresentar um plano político para enfrentar as mudanças climáticas e propor a criação de um fundo nacional de emergência climática.
Impacto imediato e números recentes
Os últimos balanços oficiais mostram a rápida escalada da crise. Em menos de um mês, as chuvas afetaram cerca de 123.495 pessoas, provocaram oito mortes nesse período e danificaram total ou parcialmente quase 4.000 habitações.
No acumulado desde o início da época chuvosa, em outubro, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres registou pelo menos 94 óbitos relacionados às intempéries, com piora significativa desde o final de dezembro.
Autoridades hidrológicas alertam para um cenário ainda mais grave: a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos estimou que cerca de 400 mil pessoas na província de Gaza correm o risco de serem retiradas compulsoriamente das suas áreas de residência devido à ameaça de inundações.
Alerta meteorológico e resposta
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) emitiu, esta semana, um alerta vermelho para chuvas intensas, sobretudo nas províncias de Gaza e Maputo, com elevado risco de cheias, inundações e descargas atmosféricas. O alerta cobre todas as regiões dessas províncias consideradas mais vulneráveis à precipitação prevista.
O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou solidariedade às populações afetadas e reconheceu a existência de danos materiais relevantes, numa tomada de posição pública que acompanha os pedidos de assistência e de avaliação dos prejuízos.
O que muda para as comunidades — e o que está em jogo
- Risco de deslocamento: centenas de milhares podem ter de abandonar temporariamente suas casas, com necessidades imediatas de abrigo, água potável e alimentos.
- Infraestruturas expostas: estradas, pontes e redes de abastecimento comprometidas dificultam o acesso de ajuda humanitária.
- Pressão sobre instituições: a exigência de inquéritos e eventuais processos penais pode acelerar auditorias e investigações sobre projetos financiados para mitigação de riscos.
- Resposta política: propostas como a criação de um fundo nacional de emergência climática sinalizam uma tentativa de institucionalizar mecanismos de proteção, mas dependem de aprovação e gestão transparente.
As declarações de Mondlane colocam a questão da transparência na vanguarda do debate público sobre prevenção e resposta a desastres naturais. Se confirmadas irregularidades no uso de fundos, a consequência prática seria não apenas sanções para responsáveis, mas também a necessidade urgente de reformular como se planeja e financia a proteção contra chuvas intensas.
Enquanto isso, autoridades locais e serviços de emergência mantêm apelos por prudência e deslocamentos seguros sempre que os avisos do Inam o determinarem. Organizações humanitárias e partidos políticos sinalizam esforços de acolhimento e recolha de donativos, mas especialistas lembram que respostas sustentáveis passam por investimentos duradouros em infraestruturas e gestão de risco bem fiscalizadas.












