Produtores de tabaco entregam 1,2 milhões às autarquias para remover beatas de ruas e praias

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A partir de 2026, as empresas produtoras de tabaco passam a financiar parte da limpeza das beatas — os filtros de cigarro feitos com plástico — que hoje pesam nas contas das câmaras municipais. A medida, formalizada num despacho esta quinta-feira, responde a regras europeias sobre plásticos de utilização única e tem impacto direto nas despesas locais com limpeza urbana e praias.

Quem paga e por quê

O novo esquema foi desenhado pela Único — Associação de Gestão de Plásticos de Uso Único — em parceria com o Eletrão, que ficará responsável pelo know‑how operacional. Pelo acordo, as filas de produção e os importadores de produtos com filtros vão assumir uma contrapartida financeira destinada às autarquias.

Na prática, trata‑se de cumprir a diretiva comunitária que visa reduzir a presença de plástico nos oceanos. Os filtros contêm acetato de celulose, uma fibra sintética derivada da celulose, e foram identificados como fonte relevante de poluição marinha e costeira.

Valores e critérios

Ao nível nacional, o total das compensações foi fixado em aproximadamente 1,2 milhões de euros para o período inicial. As contribuições a pagar a cada município variam com a área territorial, população e extensão das praias — fatores usados para estimar a parcela de custo atribuível à remoção de filtros.

Município Contribuição anual (€/ano)
Lisboa 41 800
Sintra 31 400
Vila Nova de Gaia 28 200
Almada 25 200
Cascais 20 300

O cálculo baseou‑se numa estimativa da despesa total com limpeza urbana — em torno de 300 milhões de euros por ano — da qual os resíduos de tabaco representam menos de 1% do montante global. A rubrica específica relativa à remoção de beatas nem sempre estava separada nas contas municipais, o que exigiu levantamento e negociação entre as partes.

O que cobre a contribuição

As verbas destinadas às câmaras financiam:

  • custos de infraestruturas e operação dos sistemas de recolha pública;
  • transporte dos resíduos coletados;
  • tratamento adequado das beatas e materiais associados.

Entre os associados da Único figuram produtores conhecidos do setor do tabaco e o Eletrão como parceiro técnico, incluindo marcas como Tabaqueira, JTI, Imperial Brands, BAT e Landewyck.

Combater o desperdício também passa por educação

Para além da transferência financeira, a associação planeia lançar campanhas de sensibilização sobre o descarte correto das beatas. A ambição é reduzir a presença destes pequenos resíduos nas ruas e nas praias, um objetivo que exige mudança de comportamento dos fumadores.

Um estudo de 2021 sobre hábitos de descarte revela que o problema é significativo: quase metade dos fumadores admite atirar beatas para o chão. As duas metodologias do estudo mostraram diferenças — por telefone a taxa foi de 46%, enquanto a observação em ambiente urbano apontou para 55% de descarte incorreto. Em contexto de praia, 46% das observações registaram beatas na areia.

O novo regime entra em vigor em 2026 e pretende retirar dos cofres municipais uma parte dos custos de limpeza provocados por resíduos com origem no consumo de produtos com filtro. As autoridades locais e os produtores terão, nos próximos anos, de monitorizar a eficácia das medidas — tanto na redução do lixo como na melhoria da gestão dos fluxos de resíduos.

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