Pequim acusou hoje os Países Baixos de intervir indevidamente no caso da fabricante de semicondutores Nexperia, depois de um tribunal neerlandês ter decidido abrir uma investigação formal sobre a gestão da empresa. A disputa reacende tensões diplomáticas e pode ter impacto imediato na circulação mundial de chips.
Na conferência de imprensa, o porta‑voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Lin Jian, pediu que as autoridades neerlandesas criem condições para que a situação interna da empresa seja resolvida com rapidez e sem afetar a estabilidade do mercado. Lin acrescentou que a China continuará a apoiar as empresas nacionais na defesa dos seus direitos legais.
O que determinou o tribunal
Na quarta‑feira, a Secção de Comércio do Tribunal de Recurso de Amesterdão concluiu existir motivo suficiente para investigar a política e a gestão internas da Nexperia e decidiu manter uma série de medidas cautelares adotadas em outubro de 2025.
Entre as providências confirmadas estão a suspensão temporária do diretor executivo, Zhang Xuezheng, a nomeação de um administrador independente para gerir a empresa durante o processo e a transferência provisória dos direitos de voto do acionista maioritário, o grupo chinês Wingtech, para um gestor indicado pela própria Secção de Comércio.
Essas medidas prolongam um conflito que começou no verão de 2025, quando o Governo dos Países Baixos interveio na Nexperia, citando dúvidas sobre a sua administração — uma ação que, desde então, tem sido acompanhada por fricções diplomáticas entre Haia e Pequim.
- Risco para a cadeia de abastecimento: interrupções temporárias ou alterações na gestão podem agravar pressões já existentes no mercado de semicondutores.
- Incerteza para investidores: a manutenção das medidas cautelares aumenta a volatilidade sobre ativos ligados à empresa.
- Precedente regulatório: a decisão neerlandesa pode servir de referência para ações semelhantes da parte de outros Estados em empresas de tecnologia estratégicas.
- Implicações diplomáticas: o caso tende a aprofundar a desconfiança entre Bruxelas/Haia e Pequim em temas de segurança económica.
Por ora, o processo judicial prossegue na Holanda e deverá incluir audiências e avaliações técnicas da gestão da Nexperia. O desfecho terá peso prático: além de determinar quem controla temporariamente a empresa, pode influenciar decisões sobre exportações, investimentos e cooperação tecnológica entre Europa e China.
Para leitores e empresas que dependem de componentes eletrónicos, o ponto central é simples: a disputa não é apenas legal — trata‑se de uma questão com consequências reais para o fornecimento global de chips e para a segurança das cadeias de produção.












