Mostrar resumo Ocultar resumo
As autoridades moçambicanas alertam para um risco elevado de cheias na província de Gaza que pode forçar a retirada forçada de centenas de milhares de moradores e danificar escolas, hospitais e plantações. A previsão de nova confluência entre os rios e a continuação das chuvas colocam a região em alerta máximo neste momento.
O diretor nacional de Gestão de Recursos Hídricos, Agostinho Vilanculos, informou que áreas dos distritos de Chókwè, Guijá, Chibuto e Xai-xai estão em risco e que a movimentação da população pode tornar-se obrigatória ainda nos próximos dias.
Por que a situação é urgente
O perigo decorre da aproximação dos níveis do Incomati e do Limpopo aos patamares verificados nas enchentes de 2000, quando vastas zonas ribeirinhas ficaram submersas. As autoridades dizem que, se os rios transbordarem em conjunto, o número de pessoas afetadas pode subir significativamente.
Vilanculos apelou para apoio logístico e meios de transporte que agilizem a passagem de residentes entre margens, reconhecendo que a operação de retirada terá de ser feita de forma rápida e coordenada.
Impactos previstos
- População em risco: estimativas iniciais apontam para até 400 mil pessoas diretamente ameaçadas, com possibilidade de aumento para cerca de meio milhão.
- Infraestrutura: pelo menos 150 escolas e aproximadamente 80 unidades de saúde podem ser afetadas.
- Agricultura: perto de 10 mil hectares de culturas estão em perigo de perdas significativas.
Além desses efeitos imediatos, a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos adverte que, até ao final da época chuvosa, o número de pessoas impactadas no país pode chegar a cerca de dois milhões, sobretudo se um ou dois ciclones atingirem a costa.
Clima e memória das cheias de 2000
As chuvas intensas que vêm caindo desde a semana passada levaram o Instituto Nacional de Meteorologia a emitir avisos vermelhos para várias regiões do centro e sul. A lembrança das cheias de 2000 — que causaram centenas de mortes e deslocaram milhares de pessoas — reforça a gravidade do alerta atual.
Relatórios oficiais mostram que, entre 2019 e 2023, eventos climáticos extremos resultaram em mais de mil vítimas fatais e afetaram quase cinco milhões de pessoas no país, evidenciando a vulnerabilidade crescente de Moçambique a cheias e ciclones.
O que se espera nas próximas horas
As autoridades locais e os serviços de emergência monitoram os níveis dos rios e preparam pontos de evacuação. A prioridade é garantir abrigo e assistência básica às famílias deslocadas, além de proteger infraestruturas críticas.
Para os residentes das zonas ribeirinhas, o conselho é manter-se informados pelas comunicações oficiais e seguir instruções das equipas de proteção civil. A capacidade de resposta dependerá da rapidez na mobilização de recursos e do apoio logístico à operação de retirada.












