Apagão: SIRESP responsabiliza empresas privadas

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Durante uma audição parlamentar sobre o apagão de 28 de abril de 2025, o representante do SIRESP atribuiu as falhas de comunicações às redes comerciais que garantem a transmissão entre estações — uma sinalização direta de que o colapso não foi provocado por falta de energia nas infraestruturas do próprio sistema. O debate reacende urgências sobre quem controla os canais de ligação que sustentam os serviços de emergência.

O que foi dito na comissão

Vítor Judicibus, que representa o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), afirmou aos deputados que as centrais do SIRESP mantiveram funcionamento por via de baterias e que, portanto, não houve falha de alimentação elétrica no sistema.

Segundo o seu relato, o problema crítico ocorreu na camada de transmissão: a conectividade entre torres e emissoras deixou de operar. Essas ligações, explicou, são geridas por operadores privados e passam por infraestruturas comerciais — não pela rede do SIRESP.

Na avaliação dele, essa dependência de infraestruturas externas impediu a plena recuperação das comunicações. Se a transmissão não tivesse falhado, estimou, cerca de 80% da rede teria continuado a funcionar.

Soberania sobre redes: proposta e críticas

Da parte do SIRESP veio uma proposta clara: garantir controlo próprio sobre as vias de transmissão, reduzindo a exposição a falhas de terceiros. Para Judicibus, essa mudança é essencial para aumentar a resiliência do sistema em situações de crise.

Durante a intervenção, foi também remetida uma ressalva relativamente ao papel do 5G nas comunicações críticas. O representante disse que, na prática, o 5G ainda não oferece garantias suficientes para substituir sistemas dedicados como o SIRESP, descrevendo-o mais como aspiração do que como solução pronta.

Contexto político e próximos passos

O tema surge num momento em que um grupo de trabalho sobre a substituição do SIRESP foi retomado depois de ter sido suspenso por alegações de conflito de interesses. Quando a iniciativa foi lançada, o Governo justificou a necessidade de um novo sistema “mais robusto, fiável, resiliente e interoperável”, face às limitações detectadas em cenários de elevada exigência operacional.

  • Risco operacional: dependência de redes comerciais aumenta a vulnerabilidade das comunicações de emergência.
  • Soberania técnica: controlo estatal sobre transmissão poderia reduzir pontos únicos de falha.
  • 5G e críticas: tecnologias móveis de nova geração ainda não são consideradas alternativas maduras para comunicações críticas.
  • Auditoria e transparência: a investigação parlamentar deverá clarificar responsabilidades e propor prazos para mudanças.

As conclusões desta comissão terão impacto direto nas prioridades de investimento e nas decisões sobre contratos com operadores privados. Para cidadãos e serviços de emergência, as propostas discutidas podem traduzir-se em mais redundância e em requisitos técnicos mais exigentes para fornecedores.

O processo parlamentar continua e caberá aos deputados e às equipas técnicas validar as recomendações, definir cronogramas e decidir se o Estado assume maior controlo das linhas de transmissão. Acompanhar essa evolução é relevante para perceber quando — e como — serão reduzidos os riscos em futuras situações de emergência.

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