Glaucoma: falta de dois fármacos deixa pacientes com hipertensão ocular sem alternativas

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Dois colírios usados no tratamento do glaucoma e da hipertensão ocular enfrentam problemas de abastecimento e só deverão voltar às prateleiras dentro de meses. A situação pode complicar terapias de pacientes sensíveis a conservantes e exige atenção de médicos, farmacêuticos e utentes.

O Infarmed comunicou que o fornecimento do Monoprost Duo e do Enicil Duofree está condicionado por dificuldades na produção. As datas comunicadas apontam para reposições em finais de abril e julho, respetivamente, o que cria uma janela de falta de opções sem conservantes.

Medicamento Laboratório Rutura Reposição prevista Tipo
Monoprost Duo Théa (França) Desde 6 de fevereiro 30 de abril (estimado) Colírio sem conservante
Enicil Duofree Edol (Portugal) Prevista a partir de 30 de março 31 de julho (estimado) Colírio sem conservante

Por que isto importa

Ambos os produtos são, segundo a autoridade reguladora, os únicos no mercado nacional que combinam latanoprost e timolol na forma livre de cloreto de benzalcónio. Esse conservante pode provocar reacções em doentes com hipersensibilidade; para esses casos, a indisponibilidade representa um problema clínico concreto.

O Infarmed recomenda que os utentes afetados contactem o seu médico para prescrição de alternativas. Para o restante do público, foi autorizada, de forma temporária, a substituição por embalagens com conservante quando as prescrições já emitidas continuam válidas.

O que devem fazer os interessados

  • Pacientes com historial de reações a conservantes devem marcar consulta com o oftalmologista antes de mudar terapêutica;
  • Farmácias devem reservar as unidades sem conservantes para casos em que a troca seja difícil ou arriscada;
  • Quem tiver receita válida pode aceitar temporariamente uma fórmula com conservante, desde que autorizado pelo médico;
  • Não interromper o tratamento sem orientação clínica, para evitar agravamento da pressão intraocular.

As falhas de abastecimento foram atribuídas a “constrangimentos relacionados com o fabrico” — uma explicação genérica que, embora comum em notificações deste tipo, adianta pouco sobre a natureza e a duração exata dos problemas industriais.

Para médicos e farmacêuticos, a prioridade será equilibrar a continuidade terapêutica com a segurança individual: reservar produtos sem conservantes quando necessário e documentar substituições nos registos clínicos e de dispensação.

Em suma, os próximos meses exigem vigilância. Pacientes dependentes dessas embalagens sem conservante devem procurar orientação médica o quanto antes; os restantes podem contar com alternativas temporárias, mas devem seguir as recomendações do seu profissional de saúde.

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