A Comissão Europeia revisou, nesta quarta‑feira, as medidas de controlo da gripe das aves após a detecção de sessenta novos focos na União Europeia, entre os quais um em Portugal, no distrito de Santarém. As mudanças mexem nas delimitações de zonas de proteção e vigilância e sinalizam possíveis impactos imediatos para criadores e exportadores.
A atualização consta da Decisão de Execução 2026/107, publicada no Jornal Oficial da UE, e responde às notificações enviadas por vários Estados‑membros ao Executivo comunitário.
Em Portugal, as novas ocorrências foram registadas em estabelecimentos com aves de capoeira ou aves em cativeiro nos concelhos de Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha, todos no distrito de Santarém.
Além de Portugal, os países que comunicaram novos focos à Comissão Europeia são:
- Bélgica
- Bulgária
- Dinamarca
- Alemanha
- Espanha
- França
- Itália
- Hungria
- Países Baixos
- Polónia
- República Checa
- Suécia
Bruxelas afirma que os Estados‑membros já implementaram medidas destinadas a limitar a propagação do vírus, nomeadamente o estabelecimento de zonas de proteção e de vigilância ao redor dos locais afetados. A Comissão considera que as distâncias adotadas para essas zonas são, por enquanto, suficientes para conter os surtos confirmados.
A gripe aviária de alta patogenicidade (GAAP) é uma doença viral que atinge aves e pode provocar perdas significativas na produção avícola. Para além do efeito direto sobre explorações e produtores, surtos da GAAP afetam o comércio intracomunitário e as exportações para fora da UE.
Um fator que complica o controlo é o papel das aves migratórias: vírus circulantes em populações selvagens podem ser transportados por longas distâncias durante as migrações de outono e primavera, reintroduzindo o agente em áreas previamente limpas.
O que muda, na prática:
- Reforço da vigilância nas zonas delimitadas e inspeções adicionais em explorações avícolas próximas aos focos;
- Possíveis restrições ou controlos ao transporte de aves e produtos avícolas entre áreas afetadas e outras regiões;
- Risco acrescido de perda de mercado para exportadores enquanto persistirem surtos comprovados.
Para produtores e donos de aves, as autoridades sanitárias recomendam manter medidas de biossegurança, comunicar qualquer suspeita de doença animal e respeitar as áreas de restrição definidas pelas autoridades competentes. As ações de controlo e a colaboração entre Estados‑membros serão determinantes para limitar novos surtos e reduzir efeitos económicos.












