Trabalhadores da unidade de produtos alimentares Izidoro, em Montijo, voltaram a protestar esta terça-feira à porta da fábrica para reivindicar melhores condições laborais — incluindo aumentos salariais e a reposição do feriado de terça-feira de Carnaval. A paralisação de 24 horas, convocada pelo sindicato STIAC, coloca em evidência tensões acumuladas desde o fim do contrato coletivo que vigorava na empresa.
À chegada à unidade, cerca de vinte funcionários concentraram-se em frente às instalações para exigir respostas da administração sobre salários e direitos retirados nos últimos anos. O sindicato diz que a eliminação do feriado de Carnaval ocorreu após a caducidade do contrato coletivo, um ponto central das negociações recentes.
O aumento do subsídio de refeição no ano passado — citado pelo sindicato como uma vitória parcial — não compensou, segundo os trabalhadores, a estagnação dos vencimentos e a perda de regalias acumuladas. A empresa, parte do grupo Montalva, não respondeu imediatamente a pedidos de comentário.
Uma das participantes, que trabalha na Izidoro há mais de quatro décadas, descreve a rotina de quem se mantém na fábrica há anos: recebe o ordenado mínimo nacional, viu o subsídio subir, mas sente que os direitos foram reduzidos para as novas contratações.
- Aumento salarial geral e revisão das tabelas remuneratórias;
- Reposição do feriado de Carnaval como dia de trabalho não obrigatório;
- Negociação de um novo contrato coletivo ou celebração de um acordo de empresa;
- Elevação do salário mínimo da empresa para 1 000 euros, com efeitos retroativos a 1 de janeiro;
- Atualização do subsídio de refeição para 8 euros por dia;
- Reatribuição e atualização de diuturnidades para os trabalhadores;
- Concessão de 25 dias de férias e redução do horário semanal para 35 horas.
Os pedidos espelham reivindicações mais amplas no setor alimentar: gestão do custo de vida, proteção de direitos adquiridos e condições que permitam reter trabalhadores experientes. Para a administração, aceitar todas as exigências implicaria impacto direto nos custos de produção; para os funcionários, recusar negociações prolonga um clima de insatisfação e aumenta o risco de novas greves.
O movimento desta terça-feira teve apoio local do sindicato STIAC, que sinalizou que a paralisação é um aviso para retomar conversas mais profundas sobre um acordo coletivo. A continuidade das ações dependerá das respostas que a direção da Izidoro apresentar nas próximas horas e dias.
Enquanto isso, a fábrica manteve produção reduzida durante o dia de greve; a direção do grupo Montalva ainda não divulgou posicionamento oficial sobre as reivindicações ou sobre possíveis propostas de negociação.












