Mostrar resumo Ocultar resumo
As perdas económicas globais por catástrofes naturais recuaram quase 40% em 2025, mas especialistas alertam que a queda se deve mais a fatores de sorte do que a uma redução do risco climático. A ausência de furacões a atingir a costa dos Estados Unidos foi determinante para o recuo nos custos, segundo a resseguradora Munich Re — e isso tem implicações diretas para seguradoras, governos e populações expostas hoje.
A Munich Re calculou os prejuízos em cerca de 224 mil milhões de dólares (aproximadamente 192 mil milhões de euros), com pouco mais da metade dessas perdas a permanecer sem cobertura de seguro.
Por que 2025 foi atípico
O principal fator que explica a redução nas contas foi a falta de furacões que fazerem terra nos EUA — algo que não acontecia há uma década. Ainda assim, eventos de vento, chuvas intensas e incêndios continuam a provocar danos elevados e frequentes.
Em paralelo, outra grande resseguradora, a Swiss Re, divulgou estimativas próximas: cerca de 220 mil milhões de dólares (189 mil milhões de euros) em perdas económicas no ano.
| Item | Valor (USD) | Equivalente (EUR) |
|---|---|---|
| Perdas económicas totais (Munich Re) | 224 mil milhões | ≈ 192 mil milhões |
| Perdas seguradas | 108 mil milhões | ≈ 93 mil milhões |
| Incêndio de Los Angeles (jan.) | 53 mil milhões | ≈ 45 mil milhões |
| Parte segurada do incêndio | 40 mil milhões | ≈ 34 mil milhões |
| Perdas nos EUA (total) | 118 mil milhões | ≈ 101 mil milhões |
| Mortes atribuídas a desastres naturais (mundo) | — | ≈ 17.200 |
Além do incêndio em Los Angeles, que foi apontado como o mais oneroso do ano, o setor segurador enfrentou também perdas significativas devido a inundações, tempestades e um forte sismo em Myanmar que deixou prejuízos estimados em cerca de 12 mil milhões de dólares (cerca de 10 mil milhões de euros), na sua maior parte não segurados.
O peso dos seguros e a geografia das perdas
Mesmo sem furacões, os Estados Unidos concentraram a fatia maior dos custos globais: cerca de 118 mil milhões de dólares, com elevado nível de cobertura — aproximadamente 88 mil milhões estavam segurados — o que reflete tanto o valor dos bens expostos quanto a penetração dos seguros no país.
Em contraste, muitas regiões mais afetadas em termos humanos, como partes da Ásia-Pacífico e África, registaram perdas econômicas menores em termos monetários mas maior mortalidade. No total, a Munich Re calcula perto de 17.200 mortes relacionadas com desastres naturais em 2025 — acima do número de 2024, mas ainda bem abaixo da média das últimas três décadas.
- Volatilidade financeira: um ano “calmo” quanto a furacões não anula riscos crescentes em outras frentes climáticas.
- Desigualdade de cobertura: grandes perdas em economias com baixa penetração de seguros continuam a gerar danos sociais profundos.
- Política e prevenção: decisões recentes em vários países, que adiaram ou reduziram medidas climáticas por razões económicas, influenciam a vulnerabilidade futura.
O climatologista-chefe da Munich Re, Tobias Grimm, advertiu que o aquecimento global aumenta a energia disponível para eventos extremos: mais calor favorece maior humidade, chuvas mais intensas e rajadas de vento mais fortes — fatores que já estão a amplificar a frequência e severidade das catástrofes.
2025 teve uma década de contrastes: a primeira metade do ano trouxe custos recorde para seguradoras, enquanto a segunda metade registou perdas relativamente baixas — um padrão que evidencia a variabilidade intrínseca dos impactos climáticos.
Para leitores e decisores, a lição prática é dupla: políticas de mitigação e adaptação permanecem essenciais, e a gestão do risco (incluindo expansão da cobertura de seguros e investimento em medidas preventivas) continua a ser uma prioridade para reduzir danos futuros.
Segundo Grimm, sinais de melhoria em medidas preventivas já aparecem, mas “enquanto emissões não entrarem em declínio sustentável, a tendência de aquecimento do planeta e a acumulação de eventos extremos vão persistir”.












