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A NOS registou resultados mistos em 2025: o lucro contabilístico caiu 9,6% para 245,9 milhões de euros, mas o desempenho operacional subjacente melhorou de forma clara. Esses números, divulgados pela operadora nesta terça‑feira, mostram tanto a força das suas operações correntes quanto a influência de ajustes pontuais nos resultados.
- Lucro líquido: 245,9 milhões de euros (queda de 9,6% vs 2024)
- Lucro excluindo itens não recorrentes: 241,5 milhões de euros (subida de 29,3%)
- Receita consolidada: 1.823 milhões de euros (+1,6%)
- EBITDA consolidado: 813,5 milhões de euros (+4,3%)
- Capex: 366,4 milhões de euros (redução de 2,4%)
- Serviços ativos totais: 10,9 milhões (+214,4 mil em 12 meses)
O que explica a divergência entre lucro e resultado operacional
Segundo a empresa, a queda no lucro reportado deveu‑se principalmente a um volume inferior de **resultados não recorrentes** no exercício. Em termos operacionais, a NOS destaca uma melhoria substancial: o lucro líquido ajustado cresceu quase 30%, o que aponta para receitas e margens mais saudáveis quando se excluem efeitos pontuais.
Receitas e rentabilidade por áreas
A receita consolidada subiu ligeiramente, puxada por telecomunicações e serviços de TI. No entanto, o segmento de cinema e conteúdos áudio‑visuais encerrou o ano em terreno negativo.
O **EBITDA** das telecomunicações avançou para 745,5 milhões de euros. As áreas de TI e de cinema/audiovisuais também registaram aumentos — mais expressivo no primeiro caso — embora a componente de bilheteira tenha apresentado uma evolução desigual ao longo do ano.
Do lado das TI, o novo segmento, que integra atividades da NOS e da Claranet Portugal, totalizou 167,2 milhões de euros em receitas, com um crescimento robusto nas receitas de serviços (+10,9%) que compensou um menor contributo de equipamentos e licenças.
Performance do cinema: primeiro semestre ajudou, últimos trimestres penalizaram
O segmento de cinema beneficiou de títulos com boa audiência na primeira metade do ano, mas sofreu quedas significativas no fim do ano — com recuos trimestrais de dois dígitos em momentos chave — o que fez com que a receita anual do setor ficasse em 99,6 milhões de euros, abaixo de 2024.
A empresa refere uma quebra acentuada no terceiro trimestre e uma recuperação parcial no quarto, mas não suficiente para anular o efeito agregado.
Clientes e rede: expansão mantida
Em 2025 a NOS adicionou 214,4 mil novos serviços, chegando a 10,9 milhões de serviços ativos. No segmento móvel houve um ganho líquido de 184 mil serviços, elevando o total para 5,749 milhões no final de dezembro.
A cobertura da rede é um ponto de destaque: a rede móvel 5G cobre 99,6% da população portuguesa e está presente em todos os concelhos. A infraestrutura fixa de última geração alcança 6.117 lares e empresas.
Os serviços fixos totalizaram cerca de 4,8 milhões no final do exercício. O mercado empresarial continua a crescer — o segmento corporativo acrescentou quase 60 mil serviços, totalizando mais de 1,862 milhões.
Investimento e perspetivas
O investimento bruto (capex) caiu ligeiramente para 366,4 milhões de euros, face aos 375,5 milhões do ano anterior. A redução é modesta e mantém a empresa numa trajetória de alocação de recursos para rede e serviços.
Para investidores e clientes, as leituras principais são claras: a capacidade de gerar cash‑flow operacional melhorou, enquanto o resultado líquido foi afetado por menos ajustes extraordinários. Para o mercado, isso traduz‑se numa NOS que consolida cobertura e oferta de serviços, mas que enfrenta volatilidade em receitas de conteúdos culturais.
Em termos práticos, a evolução reforça a importância de acompanhar não apenas os números finais, mas a composição desses ganhos — especialmente quando um menor volume de itens únicos pode mascarar avanços operacionais relevantes.












