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O Infarmed divulgou esta quinta-feira um guia prático após a circulação, nas redes sociais, de um desafio que incentiva a ingestão de doses elevadas de paracetamol — um comportamento que especialistas consideram perigoso porque os sintomas de intoxicação podem demorar a surgir. A publicação chega num momento em que autoridades de saúde e ordens profissionais já alertaram para riscos crescentes na Europa.
O documento, partilhado em plataformas como Facebook, LinkedIn e Bluesky, resume conselhos destinados a reduzir o risco de complicações associadas ao uso inadequado de medicamentos que contêm paracetamol.
Principais recomendações do Infarmed
Entre as orientações práticas, a autoridade reforça medidas simples, mas essenciais, para evitar problemas sérios, nomeadamente lesão hepática:
- Utilizar a menor dose eficaz necessária para controlar dor ou febre.
- Não combinar diferentes fármacos sem verificar se já contêm paracetamol.
- Evitar consumir álcool enquanto estiver a tomar paracetamol.
- Respeitar o intervalo entre doses: o habitual é aguardar seis a oito horas; um intervalo de quatro horas só deve ser feito sob indicação médica.
- Ler sempre o folheto informativo e pedir esclarecimentos ao farmacêutico ou médico quando houver dúvidas.
- Procurar assistência imediata em caso de ingestão excessiva, mesmo que a pessoa ainda não sinta sintomas.
O Infarmed aconselha também a procurar ajuda profissional se a febre se mantiver por mais de três dias, se a dor não ceder, em caso de gravidez, presença de doença hepática ou quando houver uso concomitante de outros medicamentos.
Por que isto é urgente
A maior preocupação das autoridades é que a intoxicação por paracetamol pode progredir silenciosamente para insuficiência hepática antes de provocar sinais óbvios. Além disso, muitos medicamentos para gripe, constipação ou dor contêm paracetamol em formulações combinadas, o que aumenta o risco de exceder a dose diária sem perceber.
Na semana passada, as Ordens dos Farmacêuticos e dos Médicos emitiram alertas semelhantes, citando episódios do chamado “desafio do paracetamol” em vários países europeus — entre eles Alemanha, Bélgica, Espanha, França e Suíça — e pediram vigilância reforçada nas redes sociais e nas farmácias.
Para o cidadão comum, o impacto prático é direto: evitar automedicação imprudente, não dividir comprimidos ou multiplicar doses para “testar” tolerância e consultar profissionais sempre que houver incerteza sobre posologia ou interação com outros fármacos.
O que fazer em caso de ingestão excessiva
Se houver suspeita de sobredosagem, o Infarmed e as ordens profissionais recomendam procurar cuidados de saúde sem demora. O tratamento em contexto hospitalar pode ser necessário e a rapidez na avaliação aumenta a probabilidade de bom resultado, mesmo quando os sintomas ainda não são visíveis.
Em resumo, o guia do Infarmed recorda algo simples e vital: medicamentos seguros exigem uso informado. As redes sociais podem amplificar desafios perigosos — e é agora, com estes alertas, que se espera reduzir incidentes evitáveis.












