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A Marine Stewardship Council (MSC) apresentou em Lisboa esta terça‑feira metas e resultados recentes que colocam a sustentabilidade da pesca no centro das atenções: a organização quer que 40% do pescado consumido em Portugal venha de fontes certificadas até 2030, enquanto a meta global é ligar cerca de um terço das capturas à sustentabilidade. A proposta ganha importância imediata porque afeta preços, oferta e confiança do consumidor — e chega durante a edição anual da “Semana Mar para Sempre”, dedicada à proteção dos oceanos.
Metas, números e a situação em Portugal
Segundo responsáveis da MSC na Península Ibérica, Portugal regista hoje cerca de 28% do seu pescado com algum grau de ligação à sustentabilidade, mas a ambição para o fim da década é superior: 40% do peixe vendido no país com certificação reconhecida. No plano global, a organização busca que um terço das capturas esteja alinhado com padrões sustentáveis até 2030.
A diferença entre participação no mercado e certificação visível aos consumidores ainda é grande: apesar de existirem centenas de produtos certificados, só uma pequena fatia do pescado que chega ao prato português ostenta o selo azul da MSC.
Sardinha: certificação e impactos comerciais
Os dirigentes da MSC anunciaram que, já no próximo verão, a sardinha consumida em Portugal deverá circular com o selo azul — uma volta ao quadro de certificação que, no passado, já havia sido perdida e depois recuperada. A revalidação do rótulo para espécies populares tende a ampliar a oferta certificada, sobretudo no segmento das conservas.
Reconhecimento do selo e perceção do público
Hoje, aproximadamente 46% dos consumidores portugueses identificam o selo azul, percentagem mais alta em países do norte da Europa. A organização tem como objetivo elevar esse reconhecimento para cerca de 56% até 2030, apostando em maior visibilidade e comunicação sobre o que o rótulo representa.
| Métrica | Valor atual | Meta para 2030 |
|---|---|---|
| Participação do pescado certificado em Portugal | 28% | 40% |
| Reconhecimento do selo entre consumidores | 46% | 56% |
| Produtos com selo azul em Portugal | 450 produtos (mais de 30 marcas) | — |
| Toneladas comercializadas em 2024/25 com selo MSC | 16.000 t | — |
| Proporção do pescado consumido com selo | 3–4% | — |
Impactos na pesca e no oceano
Os líderes da MSC destacaram melhorias técnicas nas pescarias: segundo a organização, já foram implementadas mais de 2.600 ações corretivas ou de gestão em unidades de pesca certificadas, com mais de 500 intervenções nos últimos três anos. Essas medidas ajudam a recuperar estoques ameaçados, preservar habitats e reduzir danos a espécies vulneráveis.
Do ponto de vista global, a MSC sublinha que, embora cerca de 35% das populações de peixe estejam exploradas em níveis biologicamente insustentáveis, 77% do volume desembarcado provém hoje de populações consideradas sustentáveis. A organização também aponta que uma transição total para práticas sustentáveis poderia aumentar a disponibilidade de proteína para dezenas de milhões de pessoas.
Controlo, auditorias e credibilidade do selo
Para evitar usos indevidos do selo, as empresas certificadas passam por auditorias externas anuais. A MSC refere ainda recorrer a amostragens de DNA para confirmar que o produto corresponde ao que é declarado nas etiquetas — uma medida que busca reduzir fraudes e «greenwashing».
Além das exigências tradicionais, os critérios de certificação passaram a incluir a gestão da perda de artes de pesca — resíduos que contribuem para a poluição marinha — e há um projeto-piloto a avaliar a pegada carbónica das frotas.
O que muda para consumidores e indústria
- Para consumidores: maior confiança na origem do pescado se o selo estiver presente, embora apenas uma pequena parte do consumo atual exiba a certificação.
- Para pescadores e marcas: pressão para adaptar práticas e cumprir auditorias, com possibilidade de ganhos de mercado se o reconhecimento do selo aumentar.
- Para o setor público: necessidade de políticas que facilitem transição para práticas sustentáveis e apoiem rastreabilidade e fiscalização.
Os responsáveis da MSC afirmam também que os custos associados à certificação tendem a diluir-se ao longo do tempo e, na prática, raramente se traduzem em aumentos directos no preço final ao consumidor. A Semana Mar para Sempre, que decorre até sexta‑feira, procura justamente ligar temas de saúde pública, segurança alimentar e bem‑estar ao estado dos oceanos.
Em resumo, a iniciativa reforça a pressão por maior rastreabilidade e padrões ambientais na fileira do pescado — uma mudança com potencial para beneficiar ecossistemas marinhos, comunidades pesqueiras e consumidores, desde que a expansão da certificação vá acompanhada de fiscalização robusta e maior literacia por parte do público.












