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A Sociedade Filarmónica de Instrução e Recreio Carregueirense Vitória, a única filarmónica do concelho da Chamusca, continua a tocar apesar de ensaiar em espaços improvisados e de enfrentar um gap financeiro que impede a reabertura da sua sede. A obra, que já estava em curso, revelou custos adicionais e deixou a colectividade com uma necessidade imediata de 150 mil euros para concluir a requalificação.
No Arripiado, numa antiga sala de aulas transformada em espaço de ensaio, cerca de 30 músicos tentam manter o ritmo. A divisão é pequena e acusticamente inadequada para acolher a banda principal: segundo a presidente, Maria Eduarda Caetano, se todos os elementos comparecessem ao mesmo tempo a sala seria insuficiente.
O edifício na aldeia da Carregueira — localidade de aproximadamente 1.200 habitantes — foi encerrado há seis anos por motivos estruturais. Telhados e paredes degradados e problemas acumulados ao longo das décadas tornaram a sede imprópria para uso e forçaram a colectividade a procurar alternativas provisórias.
O que já estava planeado — e o que mudou
O projeto inicial estimava a intervenção em cerca de 310 mil euros. A autarquia assumiu um compromisso financeiro de 200 mil euros e a junta de freguesia manifestou disponibilidade para apoiar com 30 mil euros — valor que ainda carece de formalização. O plano previa que a associação suportasse uma parte menor dos custos.
- Orçamento inicial: 310.000 euros
- Compromisso da câmara: 200.000 euros
- Compromisso da junta: 30.000 euros (por formalizar)
- Participação prevista da associação: cerca de 80.000 euros
- Custo adicional identificado: 70.000 euros para isolamento acústico
- Faltam agora: 150.000 euros
A necessidade de um isolamento acústico apropriado — essencial para um espaço que acolhe dezenas de músicos e para reduzir impacto junto à vizinhança — veio aumentar a fatura, elevando o montante que recaí sobre a filarmónica para valores que a direcção classifica como pesados para uma colectividade de aldeia.
Para a população local, a perda da sede representa mais do que faltar a um espaço físico: significa fragilizar um núcleo cultural que forma jovens instrumentalistas, organiza eventos e mantém vivas tradições musicais. A banda mantém atividades e formação, mas em condições que não correspondem às exigências de segurança e qualidade sonora exigidas.
Riscos e próximos passos
Com as obras em curso e a lacuna financeira por preencher, a reabertura definitiva da sede fica em suspenso. A direcção tem procurado alternativas para equilibrar as contas e evitar que o projecto fique parado — entre as possibilidades estão pedidos de apoio suplementar à tutela, campanhas de angariação de fundos e parcerias locais, embora nenhum valor adicional esteja ainda garantido.
Se a quantia em falta não for assegurada, o mais provável é que a obra sofra atrasos e que a filarmónica continue a operar em condições temporárias, prejudicando ensaios e atividades comunitárias. Por outro lado, a conclusão das intervenções devolverá à aldeia um equipamento recuperado, com melhores condições acústicas e de segurança, e permitirá retomar todas as actividades habituais.
Num momento em que instituições culturais locais enfrentam limitações orçamentais, o caso da Sociedade Filarmónica Carregueirense Vitória coloca uma questão prática para habitantes e responsáveis públicos: quanto vale investir na preservação de uma tradição que reúne gerações e assegura formação musical no território?












