Mostrar resumo Ocultar resumo
A Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém desativou esta sexta-feira o Plano Especial de Emergência para Cheias, depois de uma descida sustentada dos caudais libertados pelas barragens no Médio Tejo. A mudança traduz uma redução clara do risco imediato, embora prejuízos nas margens e cortes de vias mantenham a atenção das autoridades e da população.
O presidente da comissão, Manuel Jorge Valamtos — que também lidera a câmara de Abrantes — explicou que a decisão se baseia na estabilização dos caudais em níveis próximos de mil metros cúbicos por segundo, consequência das descargas controladas a montante de Almourol. Como essa situação se verifica há vários dias, considerou-se desnecessário manter o plano ativo.
Estado atual e impactos
No Médio Tejo, o rio já regressou em grande parte ao seu leito habitual. Ainda assim, a Lezíria conserva zonas inundadas e marcas evidentes causadas pela cheia — bancos de areia, sedimentos e danos nas margens continuam visíveis.
Às 9h00 desta sexta-feira, o caudal medido em Almourol era de 1.037 m3/s, valor consistente com os registados nos últimos dias e muito inferior aos máximos observados no início de fevereiro.
- Plano: ativado em 24 de janeiro no nível amarelo devido ao aumento dos níveis hidrométricos.
- Escalada: passou a vermelho em 5 de fevereiro, com registos de 8.600 m3/s em Almourol.
- Pico: a cheia atingiu o máximo na madrugada de 6 de fevereiro, com 9.057 m3/s.
- Desescalonamento: redução para amarelo em 16 de fevereiro, para azul em 21 de fevereiro e desativação total na sexta-feira, 27 de fevereiro.
Vias e logística local
Apesar da desativação, persistem constrangimentos em várias estradas do distrito de Santarém, sobretudo na zona da Lezíria do Tejo. As autoridades identificaram perdas de pavimento, colapsos de infraestruturas, movimentos de massa e quedas de taludes.
Mais de uma centena de vias continuam afetadas, pelo que a proteção civil mantém o apelo à circulação com precaução e ao uso de itinerários alternativos já desimpedidos. As equipas municipais prosseguem o levantamento de danos e a abertura gradual de percursos seguros.
O que muda para quem vive na região
Com o plano encerrado, a prioridade passa a ser a avaliação e recuperação de infraestruturas danificadas, bem como o apoio às populações mais afetadas. A redução do caudal diminui a ameaça de novas inundações imediatas, mas a situação exige trabalhos de limpeza e consolidação das margens.
As autoridades locais continuam em vigilância: monitorização hidrométrica permanente, inspeções a pontes e estradas e coordenação de reparações. Para os residentes, isso significa progresso na normalização, mas a necessidade de manter atenção a avisos oficiais até que todas as rotas estejam restabelecidas.
Em resumo: o risco agudo passou, mas as consequências da cheia — estradas interrompidas, danos nas margens e operações de limpeza — mantêm a região em fase de recuperação.












