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Na quinta-feira, 19 de março, a Tagus promove a quarta conferência dedicada à sustentabilidade económica dos ofícios tradicionais no Ribatejo Interior — um encontro que ganha importância pela decisão recente de investir na digitalização de uma rota de artesanato local. A iniciativa procura transformar saberes tradicionais em oportunidades económicas concretas, ligando artesãos a públicos e mercados através de ferramentas online.
O que mudou agora
O destaque desta edição é a aprovação de um financiamento, perto de 135 mil euros com comparticipação de 70%, destinado à digitalização da Rota AO.RI – Artes e Ofícios do Ribatejo Interior. O projeto, apoiado pelo Turismo de Portugal, prevê a criação de uma central de reservas e experiências imersivas com os próprios artesãos — uma aposta que altera a relação entre património, turismo e rendimento local.
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Para o público, a novidade significa facilidade de acesso a visitas guiadas, oficinas e produtos; para os artesãos, representa novas formas de comercialização e de visibilidade, especialmente fora da região.
Agenda e participantes
A conferência começa às 09h15 com intervenções do presidente da Câmara de Sardoal, Pedro Rosa, e elementos da Tagus, seguindo-se uma apresentação do Turismo de Portugal. A manhã está reservada a debates sobre valorização artística, identidade territorial, comercialização e inovação, incluindo a participação de especialistas e projetos vindos de Portugal e Espanha.
O encontro encerra com um debate aberto e visitas aos projetos Art Of e Cá da Terra, permitindo aos participantes ver em campo algumas das práticas e soluções em curso.
Quem participa na rota
Atualmente a Rota AO.RI integra 26 artesãos e 25 locais, cobrindo um conjunto diversificado de técnicas. Entre os materiais e ofícios incluídos estão madeira, cortiça, cerâmica, fibras vegetais e couro.
- Artesãos envolvidos: 26
- Locais da rota: 25
- Materiais e técnicas: madeira, cortiça, cerâmica, fibras vegetais, couro
- Exemplo vivo: as bonequinhas de perna de cana de Constância, perpetuadas também por gerações mais jovens
Impactos previstos
Além da visibilidade, a digitalização tende a:
- Facilitar reservas e vendas direta ao consumidor;
- Diversificar fontes de rendimento para os artesãos;
- Aumentar o fluxo turístico qualificado para o Ribatejo Interior;
- Contribuir para a transmissão intergeracional de técnicas tradicionais.
Estas transformações não são automáticas: exigem formação para os produtores, conteúdos digitais atrativos e um esforço de promoção conjunto entre municípios e agentes locais.
Contexto institucional
O AO.RI é um projeto da Tagus em parceria com as câmaras de Abrantes, Constância e Sardoal. Recebeu apoio de instrumentos comunitários como o Centro2020 e o Portugal2020, com cofinanciamento do FEDER. Trata-se de um trabalho de vários anos que tenta sistematizar e valorizar património material e imaterial numa estratégia de desenvolvimento territorial.
Ao aproximar turismo e produção artesanal, os promotores esperam criar um modelo replicável noutras regiões que enfrentem desafios semelhantes de despovoamento e falta de rendimentos sustentáveis.
Para quem acompanha a agenda cultural e económica do interior, a conferência de 19 de março oferece uma leitura prática sobre como políticas públicas e soluções digitais podem — ou não — transformar conhecimento tradicional em ativos económicos duradouros.












