À exceção do Hospital do Montijo, os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) do distrito de Setúbal registaram uma adesão dos enfermeiros à greve acima dos 73%, entre a meia-noite e as oito horas desta sexta-feira, segundo dados revelados ao Distritonline pela coordenadora da direção regional de Setúbal do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Zuraima Prado, salientando que esta é “boa resposta” ao apelo de desmobilização do ministro da Saúde.

Durante a manhã, a coordenadora da direção regional de Setúbal do SEP apurou que no Hospital do Barreiro a adesão à greve é de 88%, no Hospital São Bernardo de 63%, no Hospital do Montijo de 60%, no Hospital do Otão de 64%.

Já durante a noite, verificou-se, segundo Zuraima Prado, uma adesão “em massa”. No Hospital do Otão registou-se, inclusivamente, uma adesão à greve de 100%. No Hospital do Barreiro verificou-se uma adesão de 97,8%, no Hospital do Litoral Alentejano de 95%, no Hospital Garcia de Orta de 89%, no Hospital de São Bernardo de 73,3% e no Hospital do Montijo de 60%.

Para a dirigente sindical, a adesão dos enfermeiros à greve é uma “boa resposta à manobra de distração protagonizada pelo ministro da Saúde” que pediu aos enfermeiros para reconsiderarem a data, invocando o surto de Legionella.

“O apelo do ministro não faz qualquer sentido, o pré-aviso de greve saiu com a antecedência legal de dez dias úteis e a Legionella não surgiu nas últimas 24 horas. Portanto, o ministro aguardou até à véspera para utilizar esta questão como uma manobra de distração”, sublinhou Zuraima Prado.

A coordenadora da direção regional de Setúbal do SEP garantiu que “os serviços mínimos estão assegurados, por isso não há qualquer problema com os doentes”. “Nunca prejudicámos a população com as nossas greves, há adiamentos de consultas e de cirurgias, mas nunca deixámos nenhum utente sem atendimento e em risco de vida com os nossos protestos”, acrescentou.

O sindicato convocou dois dias de greve nacional para esta sexta-feira e para o próximo dia 21 de novembro, exigindo a contratação de mais enfermeiros para as unidades públicas de saúde e protestando contra os cortes salariais nas horas extraordinárias. Os profissionais exigem ainda a progressão na carreira e a reposição das 35 horas de trabalho semanais.

“Se existir abertura da parte do ministro da Saúde para negociar, não temos qualquer problema em desconvocar o segundo dia de greve”, finalizou Zuraima Prado.

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