Foram centenas de espectadores que se deslocaram ao Núcleo de Arte Sacra em Alcochete para assistir ao espectáculo “Testamento” com Luísa Ortigoso no papel de Maria, enaltecendo a iniciativa de estrear espectáculos como este fora de Lisboa.

 

Testamento é uma obra do irlandês Colm Tóibín que nos mostra um outro lado de Maria, a face mais humana, num retrato da mãe que perde o seu filho. O espectáculo foi encenado pelo ator e encenador Beto Coville, interpretado por Luísa Ortigoso, musicado ao vivo pelo italiano Davide Zaccaria e esteve em cena no passado fim-de-semana, no Núcleo de Arte Sacra de Alcochete.

 

A estreia contou com a presença de vários colegas do meio, como António Évora, Guilherme Filipe e Rui Luís Brás, mas também vários representantes da Câmara Municipal e Junta de Freguesia, que foram dois dos principais apoios deste projecto.

 

A peça passa-se anos depois da crucificação e é-nos apresentada uma Maria que luta para quebrar o silêncio que rodeia o que ela sabe ter acontecido. No seu esforço para dizer a verdade sobre a morte brutal do seu filho, emerge lentamente como uma figura de imensa estatura moral, bem como uma mulher da História representada agora como totalmente humana. De uma narrativa secular sempre contada por homens, o espectáculo resgata o feminino, calado e abafado desde a antiguidade por um poder masculino instituído que ainda se reflecte nos dias de hoje.

 

Depois do sucesso da estreia em Alcochete, Testamento prepara agora uma digressão pelo País.

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