O lançamento do Estudo Prévio e do Estudo de Impacte Ambiental da Plataforma Multimodal do Barreiro/Terminal de Contentores estão por dias, anunciou, na noite de terça-feira, 26 de maio, o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), Carlos Humberto de Carvalho, no segundo debate do Ciclo “Plataforma Multimodal do Barreiro/Terminal de Contentores – Visão e Futuro”, com o subtema “A Plataforma Multimodal do Barreiro – Contributos para a Cidade das Duas Margens”, realizado no Museu Industrial da Baía do Tejo.

Na sessão estiveram, ainda: o Presidente da CCDR-LVT – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, João Pereira Teixeira, o Vereador da Câmara Municipal de Lisboa (CML), com o pelouro do Planeamento, o arquiteto Manuel Salgado, o Primeiro Secretário Metropolitano, Demétrio Alves, a Presidente do Conselho de Administração (CA) da APL – Administração do Porto de Lisboa, Marina Ferreira, o Presidente do CA da Baía do Tejo (BT), Jacinto Pereira, e, como moderador, o diretor do jornal “Rostos”, António Sousa Pereira.

“A grande cidade do Estuário do Tejo”

No início da sessão, “aberta” por Jacinto Pereira, o Presidente da CCDR-LVT apresentou modelos de requalificação / regeneração de zonas portuárias em de Londres, Amesterdão, Estocolmo, Copenhaga e Roterdão, com alusão a critérios de mobilidade e a sustentabilidade.

João Pereira Teixeira sublinhou as especificidades da configuração geomorfológica do Estuário do Tejo, preconizou “a grande cidade do Estuário do Tejo” – em contraponto com “a cidade das duas margens” – e, referindo-se às suas potencialidades, considerou alguns dos locais como “um diamante por burilar”.

“Elemento infraestrutural estratégico de grande valor”

“A concretização da Plataforma Multimodal do Barreiro/Terminal de Contentores é um elemento infraestrutural estratégico de grande valor”, defendeu o Primeiro Secretário Metropolitano, acrescentando: Setúbal pode “constituir-se na terceira margem dimensional da AML”.

“Uma cidade, duas margens: realidade e desejos” foi o mote da apresentação de Demétrio Alves. “Cidade de duas margens” ou “uma cidade, duas margens” são conceitos que, na sua opinião, podem ser utilizados indiferentemente.

“É preciso pensar bem nas oportunidades que existem e não as perder”

“Cidade e rio são duas faces de uma mesma unidade – de uma mesma unidade de paisagem”, reconheceu o arquiteto Manuel Salgado, concordando com “o enorme potencial de desenvolvimento” do Estuário do Tejo e salientando: “É preciso pensar bem nas oportunidades que existem e não as perder”.

“O Barreiro tem uma condição absolutamente única. Consegue ter uma enorme plataforma, um enorme terrapleno, tem condições de acessibilidades rodoferroviárias únicas, tem uma tradição industrial invejável, que permite potenciar todo um conjunto de atividades complementares à atividade portuária, que, hoje em dia, são indispensáveis, quando se pensa em novas infraestruturas de transportes – seja de um aeroporto, seja de um porto – e tem reservas de espaço “, disse o arquiteto. Manuel Salgado recordou, ainda, que a CML já manifestou, publicamente, o apoio ao Porto no Barreiro. Mas alertou para eventuais problemas – lodos/descontaminação dos solos. Sublinhou a necessidade de fazer estudos aprofundados que garantam a viabilidade do projeto e a sua convivência com Setúbal.

O Vereador anunciou, ainda, que se está a trabalhar para candidatar a paisagem de Lisboa e do Rio Tejo a Património a Humanidade.

“Tejo tem que ser um elemento aglutinador das duas margens”

“É necessário localizar na Margem Sul equipamentos de vária índole”, de cariz fundamentalmente produtivo, que, do ponto de vista do desenvolvimento, “possam equilibrar as margens”, defendeu o Presidente da CMB.

O Terminal pode ser um contributo para a construção da “Cidade Região”, “Cidade das Duas Margens”, “Cidade Polinucleada” ou “Cidade das Cidades”, afirmou; independentemente da denominação, “o Tejo tem que ser um elemento aglutinador das duas margens”.

“Somos, mesmo, estratégicos”

“Somos, mesmo, estratégicos”, sublinhou a Presidente do CA da APL, acrescentando que é no Atlântico “que se joga o futuro”. Marina Ferreira adiantou que vai ser lançado um estudo para dragagens no Seixal, embora considere, na generalidade, não haver problemas com as dragagens – são operações habituais, explicou.

“O debate vai continuar”. Com este desafio, Sousa Pereira encerrou a sessão, que terminou já passava da meia-noite.

A próxima sessão integrada neste ciclo deverá realizar-se (a confirmar) a 1 de julho, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro. O Economista e professor universitário, Augusto Mateus (A&M Associados), e os presidentes dos CA da APL e da BT deverão ser os preletores convidados.

Esta e as restantes sessões, com entrada livre, também, com nomes reconhecidos ligados à área, são promovidas pela CMB, APL, Estradas de Portugal, REFER e BT.

CMB

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