A frase “A terra a quem a trabalha” do vereador do Planeamento, Urbanismo, Ambiente e Mobilidade, Rui Lopo, deu o mote ao Fórum de Agricultura Urbana – Realidades e Projetos, realizado esta segunda-feira, no Mercado 1º de Maio, que tinha como principal objetivo reunir experiências e contributos de outros concelhos que já implementaram hortas urbanas de forma a incorporar esses conhecimentos no projeto aHorta – Hortas no coração da cidade, que está a ser desenvolvido pela autarquia.

O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, começou por afirmar que “as hortas urbanas são uma necessidade dos tempos modernos”, sublinhando que a autarquia do Barreiro tem sido pressionada “do ponto de vista político e social” para avançar com um projeto de agricultura urbana no concelho.

Carlos Humberto garantiu que com “persistência e resiliência” o projeto das hortas urbanas será uma realidade, adiantando que espera que em 2015 a autarquia consiga “dar os primeiros passos” nesse sentido.

“Estamos a tentar inscrever no Orçamento de 2015 a concretização da primeira fase deste projeto, espero que seja possível, uma que fruto das circunstâncias atuais às vezes nem os pequenas projetos são possíveis de concretizar. Contudo, acredito que, provavelmente, partindo a efetivação do projeto por dois anos de orçamento poderá ser mais fácil”, explicou Rui Lopo.

“Produzir local e consumir local é indispensável”, destacou o vereador, defendendo que o projeto pode ainda ser “gerador de riqueza local”, uma vez que as pessoas podem vender os produtos que produzem, nomeadamente nos mercados municipais onde, atualmente há um problema de esvaziamento “difícil de solucionar”.

Inês Belchior, coordenadora operacional do projeto aHorta – Hortas no coração da cidade, do município do Barreiro explicou que os primeiros passos já foram dados, nomeadamente o levantamento de todas as parcelas que são do domínio público do município, desse levantamento foram excluídas, posteriormente, as parcelas afetas à rede de equipamentos de utilidade pública no Plano Diretor Municipal, as que tinham cedidas para espaços verdes, de recreio e/ ou de lazer e todas as que têm uso florestal. De acordo com a coordenadora, desta triagem resultaram 37 parcelas, no entanto 26 “estão cedidas para equipamentos de utilização coletiva no Plano Diretor Municipal, por isso, não sendo uma horta considerada um equipamento coletivo, ainda que estejam em reserva não podem ser, imediatamente utilizadas, sobrando deste modo 11 parcelas sem compromissos associados”.

As 11 parcelas, segundo a responsável, foram qualificadas e hierarquizadas através de uma matriz que incluía diversos critérios, nomeadamente a dimensão do espaço, a proximidade de outras hortas, a proximidade de equipamentos de utilização qualitativa e as dinâmicas urbanas que valorizam o projeto de dentro para fora e de fora para dentro. Este trabalho complexo permitiu aos responsáveis do município concluir que a Quinta da Hortinha, localizada na União de Freguesia de Palhais e Coina, é a mais apta em todos os critérios de ponderação.

De acordo com esta conclusão, foi elaborado um estudo prévio sobre a implementação do projeto na Quinta da Hortinha, apresentado no Fórum por Patrícia Pio, que também coordena o aHorta. De acordo com a coordenadora, a quinta tem cerca de 13750 metros quadrados, está inserida numa área classificada como Reserva Agrícola Nacional e é muito apta para acolher o projeto uma vez que tem uma boa dimensão, apresenta declives suaves, tem boas acessibilidades e permite a multifuncionalidade ambicionada pelos responsáveis, que pretendem que mais do que uma horta este seja também um espaço de convívio e lazer.

Patrícia Pio referiu que no estudo prévio está prevista a utilização da área norte da quinta para produção hortícola e da área localizada mais a sul para a produção frutícola, bem como “a divisão da quinta em 193 talhões de 25 metros quadrados, agrupados em subunidades de talhões, em que cada subunidade terá uma casa de ferramentas e uma zona de compostagem associada”. Contudo, depois de ouvir as experiências da Horta de São João da Caparica e da Horta de Cascais, Patrícia Pio concluiu que “provavelmente não será boa ideia ter tantos talhões”, fazendo crer que esse será um dos pontos a retificar.

Manuela Raposo Magalhães, arquiteta paisagística e professora no Instituto Superior Técnico, sublinhou, durante a sua intervenção sobre a inserção da Agricultura Urbana no planeamento das cidades, que “a agricultura urbana não pode ser só uma moda, porque se não quando a moda acabar acabam-se os projetos”.

A arquiteta defendeu que as hortas urbanas para além das vantagens ambientais, sociais, e dos benefícios da redução dos resíduos orgânicos através da compostagem, do ponto de vista de uma alimentação equilibrada, do combate ao stresse e ao sedentarismo, têm enormes vantagens do ponto de vista económico. De acordo com um estudo citado por Manuela Raposo Magalhães, uma família que tenha um terreno de 100 metros quadrados, desde que não pague água, todo o terreno seja aproveitado e seja feita uma boa exploração com compostagem, poupa em média 3000 euros por ano.

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