Recordamo-nos, com toda a certeza, que há um bom par de anos falar de Turismo em Portugal, era quase dissertar sobre “Sol e Mar”, “Encontros e Congressos” e, … pouco mais!

Mais tarde, também por influência dos testemunhos e das vivências de nuestros hermanos que sempre gostam de realçar el bacalao, juntou-se a Gastronomia aos fatores distintivos e de atratividade nacional. Seguiram-se os Vinhos, a Doçaria e, porque não, a Paisagem, talvez o nosso Fado!

A Cultura, no sentido mais puro e purista do termo, andou, de certo modo arredada dos discursos dos supostos especialistas em Turismo, e durante demasiado tempo, ambos (Cultura e Turismo) passaram ao lado do(s) Governo(s) – sem Ministério(s), sem Secretaria(s) de Estado, enfim, áreas de somenos, na opinião e prática política de alguns, infelizmente demasiados!

Hoje, aparentemente, algo surpreendidos, porque desatentos, com o crescimento do fluxo de turistas em Portugal, talvez seja pouco prudente dar como adquirido este crescente interesse por Portugal e vê-lo como algo de … perpétuo. Na Economia, e é disso que aqui pretendo escrever – o Turismo é Economia, porque é Atividade Económica, não há fenómenos eternos, antes pelo contrário.

Seria bom que a Cultura e a sua esfera de atuação e competências pudesse extravasar as Artes e os Espetáculos, os Monumentos, a Escrita, etc…, pois o Turista, para além de visitar, consome e, por muito que não se diga, talvez por uma questão … cultural, é por isso que tanto se fala e gosta deles, sendo agora, tantas vezes, apontados como pretensa salvação da nossa Economia!

A questão é saber se aquilo que os Turistas consomem no nosso País são “produtos” exclusivos nossos ou se serão “produtos” igualmente disponíveis noutros destinos turísticos?

Creio que os únicos “produtos”, claramente distintos e distintivos que Portugal poderá oferecer aos Turistas são “produtos” do âmbito da Cultura. Sempre foi, é e será esse o “produto” que nos distingue de todos os restantes destinos turísticos. E se, porventura, hoje são mais valorizados do que no passado, teremos de tentar compreender as razões de tais preferências.

Em linguagem de Comércio, importa conhecer e saber trabalhar o binómio Oferta-Procura.

No dia em que saibamos fazer com que o Turismo também consuma a nossa Cultura, teremos passado do estádio de Cultura de Turismo para um outro estádio – o Turismo de Cultura.

 

 

Por João Barreta

Mestre em Gestão do Território

Licenciado em Organização e Gestão de Empresas

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