“Islão significa submissão voluntária. Muçulmano é aquele que se submeteu voluntariamente, aquele que se submeteu a Deus. Aquele que obriga e usa a violência está a ir contra a sua religião.” disse o sheik David Munir às pessoas que estiveram na tertúlia na igreja de Santo António da Charneca, no dia 18 de janeiro.

O salão da igreja, que desde outubro do ano passado já acolheu seis tertúlias sobre diversos temas, estava cheio de curiosos que queriam escutar e dialogar com o responsável da Comunidade Muçulmana de Portugal.

O sheik cativou as pessoas durante 1 hora, mostrando que é possível ser muçulmano e ter bom humor. Começou por afirmar que o Islão é um modo de viver, tal como o judaísmo e cristianismo (Abraão é considerado o Patriarca destas três grandes religiões) e falou do seu aparecimento por meio do profeta Muhammad (Maomé).

De seguida, David Munir apresentou as características básicas do Islamismo: fé em Deus e no seu último profeta; cinco orações por dia, voltados para Meca (orações que podem ser feitas em qualquer lugar limpo); oferta de 2,5% dos rendimentos anuais para ajuda aos pobres (e só dá quem realmente pode); jejum no mês do Ramadão (9º mês do calendário islâmico) como forma de purificação e libertação (só realiza o jejum quem tem saúde e idade) e peregrinação a Meca (uma vez na vida, desde que tenha saúde e capacidade financeira).

Por estar a falar para uma assembleia formada por cristãos, o sheik referiu que a Virgem Maria é uma personagem muito importante para os muçulmanos, de tal maneira que o seu livro sagrado, o Corão, dedica-lhe um capítulo inteiro. Jesus também é importantíssimo, aparecendo mais vezes no Corão que o próprio Muhammad.

O sheik Munir deixou claro que “os muçulmanos sentimos mais que ninguém os atos terroristas levados a cabo por pessoas que se dizem muçulmanos”. Tudo o que existe no mundo é contra o que foi revelado no Corão: “se alguém matar uma pessoa inocente, é como se matasse toda a humanidade”, disse o líder muçulmano citando o Corão (5:32).

Antes da despedida, o responsável da Mesquita Central de Lisboa desafiou o Pároco de Palhais/Santo António a organizar uma ida paroquial à Mesquita, para oração, convívio e almoço.

O próximo encontro está marcado para o dia 3 de fevereiro com outro convidado surpresa.

Até ao final do ano continuar-se-ão a realizar estas tertúlias quinzenais. Realçamos José Manuel Pureza, António Bagão Félix e Juan Ambrósio como alguns dos próximos convidados.

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