Os deputados do PCP do distrito de Setúbal questionaram o Governo sobre a decisão da CP de vender como sucata material ferroviário de importante valor, bem como bens e equipamentos considerados únicos existentes no Barreiro e no País, mostrando-se preocupados com eventuais implicações que este processo possa ter para a conservação da memória neste domínio.

Que medidas urgentes estão a ser desenvolvidas junto da Administração da CP para evitar a venda do último material circulante sem que previamente tenha sido assegurada a seleção de alguns exemplares para musealização, designadamente com o Núcleo de Património Ferroviário do Barreiro; vai o Governo divulgar o Relatório do GT criado pelo despacho 7201/2013; qual o ponto de situação relativo a esse processo e que resposta foi dada pelo Governo aos contatos das referidas associações acerca desta situação. São estas as questões que o PCP dirigiu ao Governo.

Num pedido, com as questões, assinado pelos deputados Bruno Dias, Francisco Lopes e Paula Santos, e que o Distritonline teve acesso, o Partido Comunista Português revela que o prazo estipulado pela CP para receber propostas para venda do material circulante terminava no dia 18 de maio, Dia Internacional dos Museus, o que poderá ter sido para os comunistas “uma nota de humor negro do Governo ao assinalar a data também desta forma, alienando património ferroviário e inviabilizando a sua recuperação e tratamento museológico – enquanto organiza a operação mediática no Entroncamento”.

Os deputados comunistas foram contactados no âmbito de uma iniciativa conjunta do Movimento Cívico para Salvaguarda do Património Ferroviário do Barreiro, Associação Barreiro-Património, Memória e Futuro e Associação das Coletividades do Barreiro. Estas estruturas cívicas e culturais reclamam, de acordo com os deputados, que sejam tomadas medidas junto da CP, no sentido de assegurar que a anunciada venda de material circulante lançada por esta empresa, não seja realizada sem que previamente seja selecionado e parqueado em espaço museológico identificado, pelo menos um exemplar de cada tipo de carruagem e máquinas Diesel, usadas nas linhas do Sul e Sueste a partir do Barreiro.

“As associações referidas têm realizado um trabalho intenso no sentido de preservar o Património Ferroviário do Barreiro que desejam integrado num Núcleo Local do Museu Ferroviário Nacional tendo já conseguido assinar um protocolo de comodato com a REFER para, em regime de voluntariado, assegurar a reabilitação, manutenção e limpeza da estação ferroviária do Lavradio”, explicam os deputados, acrescentando que “na sequência dessas iniciativas, o Secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações emitiu o Despacho n.º 7201/2013, criando um Grupo de Trabalho para estudo das soluções adequadas para o desenvolvimento e regeneração do Património Ferroviário do Barreiro” do qual esperavam-se “conclusões e recomendações” e não o “concurso lançado pela CP”.

Para os deputados esta é uma “opção lamentável que suscita as maiores preocupações destas estruturas, pelo futuro do Património Ferroviário do Barreiro, seu interesse na preservação da Memória da Comunidade, principalmente de sucessivas famílias de ferroviários que ao longo de 160 anos o construíram”, sendo que as Associações consideram “ser da maior importância a preservação de, pelo menos, algum do material circulante e outros equipamentos técnicos, que deveriam ser mantidos no Barreiro até que seja possível concretizar a realização de um Núcleo Museológico Ferroviário”.

“Os edifícios, estações e rotunda de comboios não podem ficar vazios e descaracterizadas de material circulante e outro espólio ferroviário”, defendem, sublinhando que “este património faz parte da identidade da cidade do Barreiro e está na memória das suas gentes”

“A necessidade da sua preservação, como forma de salvaguardar parte da sua memória e história, deve orientar-se no sentido de dar continuidade a essa mesma identidade coletiva”, rematam.

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