Uma ponte Barreiro-Seixal tem sido mais do que uma reivindicação da população, uma necessidade de dois concelhos vizinhos, culturalmente próximos, afetivamente próximos, a escassos 400 metros de distância, medidos em linha reta (sobre o Rio Coina), mas a longínquos 16 pela rodovia.

 

Neste sentido, os Municípios do Barreiro e do Seixal uniram-se para recuperar uma ligação entre os dois concelhos: um projeto que aproveitará o traçado da antiga ponte do Seixal (danificada nos finais dos anos 60 por uma embarcação, não mais tendo sido recuperada), com cerca de 400m, quedeverá permitir a circulação fluvial no Rio Coina e, de acordo com oPresidente da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), Carlos Humberto de Carvalho, se integrará no sistema de ciclovias, ligando os dois terminais fluviais existentes nos dois concelhos.

 

Trata-se de um investimento de cerca de quatro milhões de euros, divididos pelos dois municípios, que submeteram candidaturas a fundos comunitários, para financiamento a 50 por cento, inseridas no Plano de Ação de Mobilidade Urbana Sustentável da Área Metropolitana de Lisboa (PAMUS), programa que financia, apenas, investimentos relacionados com a mobilidade sustentável.

 

Conforme afirmou o Presidente da Câmara Municipal do Seixal, Joaquim Santos, na segunda-feira, 28 de março – na Cerimónia de Assinatura doContrato de Concessão de Utilização Privativa de Domínio Público da Doca Seca, junto à antiga Estação Fluvial do Barreiro, entre o Município do Barreiro e a CP -, será um projeto para avançar o mais rapidamente possível.

 

Partindo do princípio que as candidaturas abrirão, ainda, em 2016, crê-se que, em 2017/18, se poderá iniciar a construção, não se prevendo um trabalho nem complexo, nem prolongado.

 

Esta ponte é um projeto diferente da, há muita falada, ligação rodoviária entre este dois concelhos porque tem como objetivo promover a mobilidade suave (a pé e de bicicleta) e a melhoria da relação das populações e as margens dos rios, particularmente do Coina, com a paisagem e apontamentos que apelam à perceção da qualidade de vida que existe nos dois concelhos, podendo, ainda, vir a ser reforçado este aspeto uma vez que se ambiciona que se torne uma referência arquitetónica e um projeto de qualidade.

 

Entendida como uma inevitabilidade e definida no Plano Diretor Municipal, a ligação rodoviária entre o Barreiro e o Seixal (mais a montante, em Santo André) e para a qual já os estudos estão realizados estará “em condições de avançar rapidamente, sendo a responsabilidade desta do Governo e da Infraestruturas de Portugal”, segundo o edil barreirense.

Os dois projetos “complementam-se”, sublinhou.

 

“Estamos aqui frente a frente e estamos tão longe em termos de acessibilidades”, disse o responsável do Seixal.

 

Lança-se, assim, a ideia mais vasta do “desenho” de um conjunto de ciclovias que ligue os concelhos ribeirinhos do Tejo.

Partilhe esta notícia