Há muito tempo que os montijenses houvem gabar que “o Montijo é a cidade mais atrativa de Portugal”. De peito feito o atual edil não hesita em atirar aos oponentes esta classificação exagerada de um estudo que, segundo o site da Câmara Municipal do Montijo, refere “que o Montijo foi a cidade do território continental que registou maior atração de população entre 2007-2011”.

O referido estudo refere “Em média, as cidades das regiões de Lisboa e do Algarve registaram maior atração de população (cerca de 12% da população residia 5 anos antes fora do município). As cidades com os valores mais elevados no indicador em análise eram: Caniço, na Região Autónoma da Madeira (20%), Montijo (18%) (…)”. Ou seja, o correto será dizer “A cidade mais atrativa de Portugal Continental, para pessoas que mudaram de concelho e em valores relativos.”. Sim, porque 16% dos à época 145 142 habitantes de Odivelas correspondem a 23 222 pessoas, número superior às 9 219 pessoas que correspondem a 18% dos 51 222 habitantes do Montijo.

Ainda assim, aceitando que o Montijo era de facto a cidade mais atrativa de Portugal em 2011, título reclamado em 2014, vemos que nos últimos 10 anos se deixou ultrapassar por cinco outras cidades portuguesas cujo crescimento deixa o Montijo numa modesta sexta posição. Ainda assim, o Montijo tem um ganho de população assinalável, mas tal ranking levanta a suspeita sobre os motivos para tal desempenho. Gostariamos de afirmar que tal crescimento se deveu a um forte aumento do número de nascimentos em resultado do ganho de confiança que as condições que o concelho dá aos que ambicionam ser pais, ou pela fixação de trabalhadores por verem no concelho a oportunidade de encontrar trabalho bem remunerado, ou ainda pela qualidade de vida que as infrastruturas presentes no concelho trazem aos múnicipes. Mas, não, os montijenses sabem que nenhuma desta razões são reais, durante este período de 10 anos, reduziram-se o número de creches, não foi criado emprego qualificado nem se construiram infrastruturas de lazer, nem mesmo as prometidas piscinas fluviais, promessa já repetida pelo menos por altura das 2 últimas eleições (2013 e 2017). 

A razão mais plaúsivel é o custo da habitação em comparação com tal custo na margem norte e a proximidade com a capital. Teremos mais informação sobre este e outros assuntos à medida que o INE vá revelando mais indicadores sobre os CENSOS 2021.

Será interessante, ou mesmo lúdico ouvir agora a explicação para esta regressão face a uma tão grande vantagem de partida como a fama de “Cidade mais atrativa de Portugal”, lema que, ao acrescentarmos “Provavelmente”, faz lembrar um outro de um conhecido anúncio comercial.

João Pereira

Candidato da Iniciativa Liberal a Presidente da Câmara Municipal do Montijo