Perto de meia centena de alunos do 1.º ciclo da EB n.º 3 do Montalvão visitaram esta manhã o Mercado do Livramento, em Setúbal, para assistir a uma sessão temática sobre a história de vida do choco e a uma demonstração da arte de entrilhar as redes de pesca.

A atividade permitiu que as crianças conhecessem, através de imagens e vídeos, aspetos ligados à vida do choco, como biologia, reprodução, alimentação e habitat.

Na sessão “Choco, choquinho, que histórias me contas tu?”, realizada no Ninho de Novas Iniciativas Empresariais de Setúbal, a funcionar no primeiro piso do Mercado do Livramento, Raquel Gaspar, bióloga marinha, explicou que “o choco é um molúsculo, mas contém uma concha interna, a siba”.

Espécie carnívora, o choco alimenta-se de caranguejos, peixes e camarões. “Ele tem a capacidade de mudar de cor, aproxima-se das suas presas, captura-as com dois tentáculos que projetam rapidamente como a língua de um sapo. O seu bico forte corta a presa, ao mesmo tempo que lhe é injetada uma toxina paralisante”, explicou.

Durante a época reprodutiva, os machos cobrem-se de um vistoso padrão zebrado e modificam um dos tentáculos para introduzir o esperma na fémea. “Os ovos são protegidos por uma espécie de gelatina preta e fixos em algas, sob o olhar atento do macho”, ensinou a bióloga marinha nesta sessão organizada pela Câmara Municipal de Setúbal e pela Ocean Alive.

O momento incluiu ainda uma visita às bancas de peixe do Mercado do Livramento, onde o choco marca presença. “A concha é tão dura!”, exclamou Rodrigo, de nove anos.

Uma das peixeiras aproveitou o momento de animação e, retirando o “ferrado” – tinta preta do choco –, pintou o nariz das crianças que rodeavam a sua banca.

No final da visita, os alunos tiveram a oportunidade de experimentar como se entrilha as redes de pesca. A atividade, partilhada por antigos pescadores e impulsionada pela Associação Família do Mar de São Sebastião e pela Autarquia, chamou a atenção das crianças.

“Eu gostava de experimentar”, confessou Beatriz, de oito anos, enquanto observava António Jesus, antigo pescador, a manobrar as redes.

“Força no dedo polegar. Agarra o fio e toma atenção porque tem de estar sempre bem esticado”, ensinou o mestre, partilhando, assim, o segredo de uma vida.

Recorde-se que, estas iniciativas integram as comemorações locais do Dia Nacional do Pescador, promovidas pela Câmara Municipal com diversas parcerias, que incluem, até domingo, encontros, gastronomia, exposições e cerimónias evocativas.

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