O passado fim-de-semana foi muito profícuo em acontecimentos políticos. Muito possivelmente poderia dedicar uma crónica a cada um deles, pois têm conteúdo mais que suficiente para isso.

Aníbal Cavaco Silva, ex-presidente da República e ex-primeiro-ministro, o homem em quem nunca ninguém votou mas que governou sempre com maioria absoluta, foi destaque na cobertura noticiosa e deixou muita gente nervosa, à esquerda logicamente. O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, reagiu dizendo que o ex-presidente está velho e Catarina Martins declarou que Cavaco estava a fazer autocrítica

Não é surpreendente que partidos e partidários de esquerda não gostem de Cavaco Silva, o que surpreende é que as duas únicas figuras do PSD que atualmente têm acutilância e assertividade suficiente para colocar toda a esquerda em alvoroço sejam Passos Coelho e Cavaco Silva. Dá para tirar algumas deduções acerca do quão pífia é a liderança de Rui Rio.

O ex-presidente da República deixou críticas justas e tão simples como “É chocante o sentido de impunidade que irradia de algumas atitudes e comportamentos do atual Governo”, passando pelo caso do procurador europeu, da procuradora-geral da República e pela rampa descendente em que Portugal se encontra nos rankings europeus de desenvolvimento. Já no campo dos elogios, a menção a Ricardo Baptista Leite no discurso de Cavaco é mais uma medalha para este deputado que tem obtido resultados notórios do seu discreto investimento na carreira política. Com um trabalho exímio na comunicação, provavelmente fruto do apoio do estratega israelita Sefi Shaked, Ricardo Baptista Leite tem estado permanentemente na ribalta pela positiva, tendo já conseguido que até o primeiro-ministro o patrocine. Cada vez mais se perfila como um futuro líder do PSD. 

“100 anos, 100 ações” lê-se no site oficial do Partido Comunista Português. E eu acrescento: 100 noção. O PCP brindou-nos no fim-de-semana com bandeiras espalhadas por todo o país, o problema é que não se ficou por aí. Se já é ofensivo o suficiente ter o símbolo de uma das ideologias mais assassinas da história mundial a decorar as nossas ruas, mais ofensivo foram os encontros públicos que se realizaram num país que ainda há dias estava num estado calamitoso devido à situação dos contágios de covid-19. 
Os comunistas mais uma vez quiseram mostrar que podem mais que os outros. As incontáveis reportagens de gente que nem um funeral digno pôde providenciar aos seus, porque estão proibidos ajuntamentos de pessoas, não comovem o camarada Jerónimo. Como tal, foram vários os pontos do país onde o PCP montou arraial e fez a festa dos seus 100 anos com centenas de militantes na rua. Não esqueçamos que nem ao postigo se vendem bebidas por perigo de se juntarem 4 ou 5 pessoas a conversar junto aos estabelecimentos. Infelizmente cada vez mais o PCP é um partido de bandeiras e menos de pessoas. O Comité Central achas que uma boa prova de vida é marimbar-se para os que sofrem durante esta pandemia. 

Finalmente, durante o fim-de-semana, a Juventude Popular realizou o seu 24º congresso, desta feita totalmente pela via digital. É bom ver mais um partido, neste caso uma juventude partidária, a demonstrar responsabilidade e vontade de se adaptar ao momento que vivemos. Estas formas de comunicar só pecam pela sua aplicação tardia. O congresso elegeu os seus novos orgãos que incluiram cinco membros do distrito de Setúbal, e de onde saiu uma nova Comissão Política Nacional liderada por Francisco Camacho. A representação do distrito não se ficou apenas pela inclusão de elementos nos orgãos eleitos, mas também pela apresentação de uma moção acerca dos transportes a nível distrital, em que referiram, por exemplo, a reativação das linhas ferroviárias de passageiros no litoral alentejano. A moção foi aprovada com distinção por todos os congressistas. 

João Conde