Luís Bravo, vereador do Ambiente da Câmara Municipal do Barreiro, defendeu que o grande trunfo do projeto Lifebiodiscoveries é a mobilização social, que permite transformar cada munícipe num agente de controlo das espécies invasoras na Mata da Machada (acácias) e no Sapal do Rio Coina (chorões) e, nesse sentido, cada voluntário é, efetivamente, um amigo.

“O património ambiental é um legado do Barreiro e temos que selar, definitivamente, o vínculo dos barreirenses a estes espaços de enorme riqueza ao nível da biodiversidade”, sublinhou o vereador durante o primeiro Seminário Técnico do Projeto Lifebiodiscoveries, subordinado ao tema “Espécies Invasoras”, reiterando que “passam anualmente pela Mata da Machada no âmbito das ações dinamizadas pelo Centro de Educação Ambiental centenas de crianças e famílias”.

Henrique Pereira dos Santos, arquiteto com vasta experiência nas áreas da conservação da natureza e biodiversidade que elaborou a candidatura da autarquia ao programa da Comissão Europeia Life+, destinado a projetos ambientais, em declarações ao Distritonline, admitiu que apesar do projeto ainda estar “numa fase inicial”, está a “superar as espectativas”, uma vez que a adesão sobretudo dos grupos de escuteiros e das famílias “foi mais rápida do que era esperado”.

As espécies invasoras são uma das grandes ameaças à diversidade biológica à escala mundial, porque provocam uma substituição de sistemas, alterando o aparecimento e crescimento de plantas e, eventualmente, de alguns animais, sobretudo insetos. Nesse sentido, o arquiteto paisagístico admitiu que “existe a possibilidade de, numa fase posterior, alargar o projeto, que visa contrariar o avanço deste problema nas jóias do concelho, a outras espécies invasoras, designadamente a Cortaderia”.

De acordo com Henrique Pereira dos Santos, é importante “desmistificar” a ideia de que o projeto tem uma forte tónica social, porque o voluntariado é uma “opção mais barata”. “É preciso organizar, prestar informações, acompanhar, avaliar, estar disponível para os voluntários e esse trabalho tem custos. No entanto, o voluntariado tem “mais-valias”, principalmente porque” o projeto vai terminar no final dos cinco anos previstos, mas o problema das espécies invasoras não vai acabar com o projeto, uma vez que há sempre re-invasões”. Por isso, o projeto deve, acima de tudo, “dar o impulso para que o Biodiscoveries continue a existir para lá do projeto e isso vai depender, essencialmente, da ligação que conseguirmos estabelecer entre a sociedade civil e a Mata da Machada e o Sapal do Rio Coina.

Em dezembro, foi aprovado em Sessão de Câmara a proposta de celebração de um protocolo entre a Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais e o Município do Barreiro – que deverá ser assinado nos próximos tempos – através do qual os reclusos do Estabelecimento Prisional do Montijo irão associar-se ao projeto e ajudar a concretizá-lo.

Para o responsável da candidatura do município ao programa Life+, o protocolo irá ajudar a “reintegrar os reclusos” que serão tratados como qualquer outro trabalhador.

A possibilidade de utilizar “pastoreio dirigido”, designadamente cabras, no Lifebiodiscoveries está, de acordo com Henrique Pereira dos Santos, “em cima da mesa”, sobretudo “em zonas de regeneração muito intensa”. A utilização de animais no combate às espécies invasoras já foi aplicada nos Estados Unidos da América com resultados satisfatórios do ponto de vista da eficiência da utilização de recursos, uma vez que este é um recurso relativamente económico.

O primeiro, de oito Seminários Técnicos que serão realizados ao longo do projeto – numa lógica, provavelmente, bianual – foi transmitido, em direto e em inglês, via streaming. Luís Bravo explicou que esta é uma forma de “lançar o projeto para além das fronteiras do município, em termos nacionais” e de “reforçar a participação da sociedade civil”. “É um tema que está na atualidade, que faz parte da economia verde e nós queremos colocar todos os meios possíveis ao dispor do projeto”, acrescentou o responsável pelo pelouro do Ambiente.

O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, ao Distritonline, admitiu que o projeto é “mais um contributo sustentável que irá ajudar a mudar a imagem que as pessoas têm do barreiro”, maioritariamente associada ao seu passado industrial.

“É um contributo sustentável do ponto de vista ambiental e sustentável porque as pessoas vão criar essa nova imagem do concelho – um concelho diversificado, com respeito pelo ambiente, com uma profunda ligação à mata e aos seus rios – por razões sustentáveis, ou seja, por razões reais”, explicou, salientando que o projeto pode, inclusivamente, “levar a que pessoas mais despertas para as questões ambientais considerem a possibilidade de fixar-se no Barreiro”.

Recorde-se que, o projeto Lifebiodiscoveries, apresentado pelo município do Barreiro, no valor de 1,3 milhões de euros, foi um dos quatro projetos portugueses aprovados em 2014 no âmbito do programa Life+, destinado a projetos ambientais.

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