É tão bom ter um PAI!

No rescaldo do dia do Pai é importante pensarmos como a sociedade tem modificado os valores que sustentavam a figura paternal no passado.

Será a mãe mais importante do que o pai na relação com os filhos?

Muitas vezes ouvimos dizer que “mãe é mãe”, que é a figura central, mas podemos questionar estas afirmações. Actualmente são cada vez mais os pais que procuram estar empenhados na educação das suas crianças. Tanto o pai como a mãe são figuras centrais para o bom desenvolvimento dos seus filhos, desde que estejam disponíveis e psicologicamente capazes de assumir uma boa parentalidade.

No entanto a alienação do papel do pai junto dos seus filhos tem constituído um vector comum na civilização ocidental.

Psicanalistas e psicólogos têm investido poucos recursos no estudo da figura paternal, por considerarem o seu papel secundário, especialmente no que respeita à relação precoce, sendo a mãe a figura central de investigação.

Em termos culturais e históricos não era apropriado que o pai manifestasse comportamentos ternos e de amor para com o seu filho/a, na medida em que tais actos estavam associados a um padrão tipificado e estritamente feminino.

Neste contexto, o pai tornou-se ausente e a sua presença física na relação com o seu filho passou a ser considerada irrelevante. O psicanalista Nauri considerava o pai como um terceiro indesejado que vem perturbar a relação mãe / criança e que se pode transformar em “objecto de ódio do bebé”.

Winnicott revelou que apenas a mãe tem uma “preocupação materna primária” que a leva a existir e a ocupar-se exclusivamente do seu bebé. Assim sendo, o pai é uma terceira figura dispensável numa fase primária, pois tem como única função conter e relacionar-se com a mãe.

A interacção pai/criança foi, desta forma, posta completamente de lado, o pai foi entendido como um estranho que não pode interromper o “paraíso simbiótico relacional” da mãe com o seu bebé.

A mãe poderá favorecer esta relação fusional, “cola”, em que ela desempenha um papel principal na manutenção da sobrevivência do seu bebé, na medida em que assegura um lugar privilegiado no seu psiquismo. Através do impacto emocional e vivencial que cria, pela convivência constante e fechada.

Contudo parece que estamos a assistir ao despertar do “novo pai” que está disponível para se relacionar com os seus filhos desde uma fase precoce. Esta disponibilidade poderá estar relacionada com múltiplos factores, nomeadamente o facto de as mulheres estarem cada vez mais no mundo do trabalho.

Outra mudança significativa consiste no crescimento do número de pais solteiros que ficam com a custódia dos filhos, algo impensável a algumas décadas atrás.

O resultado de tantas alterações sociais implica uma reestruturação do lugar do pai, de como se deve comportar e de como reagir com os seus filhos.

Ao não ter de cumprir um mandato de comportamentos austeros, desprovidos de afecto ou de assumir um papel, tradicionalmente expectável, de distanciamento dos filhos (que só entra em acção quando é necessário dar um sermão), o pai vai finalmente, libertar-se destes estereótipos e tornar-se numa figura parental que revela os seus sentimentos e o amor que tem aos seus filhos.

Na análise destes temas entra-se, necessariamente, na questão do que cabe à masculinidade e do que cabe à feminilidade.

Até que ponto a masculinidade tem de estar associada ao embotamento afectivo ou à incapacidade de estabelecer uma relação empática com o seu filho/a. Será que a capacidade de estabelecer uma relação empática com os filhos é uma característica exclusiva da feminilidade? Assim surge a questão: a sensibilidade ou capacidade de empatizar é uma característica das relações humanas ou é especificamente materna?

De facto, o masculino é diferente do feminino, mas na essência, partilhar emoções e relacionar-se com o outro de forma íntima e especial, está estreitamente relacionado com a maneira como o sujeito foi amado, ou não, pelos seus próprios pais e como encarou e integrou essas mesmas experiências. Como tal a capacidade de interagir com qualidade e de amar não se relaciona com o género sexual.

É bom ter o abraço apertado do nosso pai, o seu sorriso sincero e brincalhão. É bom podermos pegar na sua mão forte e sentir firmeza, quando nos diz para avançar com coragem para a vida. Por vezes, a mãe, inibe os nossos passos, por medo e insegurança, pois pode não conseguir nos proteger, o pai sabe que devemos seguir em frente, que devemos experimentar, sempre, com a certeza que podemos contar com o seu apoio constante, mesmo quando erramos.

É tão bom ter um pai assim! Parabéns todos os dias a todos os Pais!!!!!!

Dra. Mafalda Leite Borges (Alcochete)

www.canto-psicologia.com

 

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