Muitas vezes ouvimos o lugar-comum, “ganhar e perder é desporto”. Parece-me que cada vez mais a cidade do Barreiro tem que ganhar com o desporto. A nossa cidade tem uma história que dificilmente se dissocia da actividade desportiva, tendo vários barreirenses, ao longo dos anos, ocupado lugares de destaque no panorama desportivo nacional e internacional.

Se é um facto que existem algumas áreas do desporto local onde se tem trabalhado bem, não é menos verdade que existem muitas coisas por fazer.

Um dos maiores exemplos disso é a fraca articulação existente entre as escolas ou o desporto escolar, e os clubes. A esse nível, Portugal será por ventura um dos países mais atrasados a nível europeu. Muito desse atraso deve-se à falta de aposta dos sucessivos governos numa área fundamental para o desenvolvimento de boas práticas, que desenvolvam os jovens não só a nível desportivo, mas que promovam também um estilo de vida saudável, como são a Educação Física e o Desporto Escolar. É fundamental combater esse desinteresse ao nível local, promovendo relações estreitas entre o meio escolar e o meio desportivo.

É necessário igualmente ter uma visão mais abrangente daquilo que o desporto pode dar à cidade. Quase sempre se pensa naquilo que as autarquias podem dar aos clubes, ou de que maneira podem financiar determinados eventos desportivos. Esta é uma visão que não cabe nos dias de hoje, até pelas circunstâncias actuais da sociedade portuguesa. Não podemos esconder que actualmente os clubes do Barreiro dependem muito daquilo que são as ajudas da CMB, sejam elas de índole financeira ou logística. Mas se os clubes têm que procurar formas diferentes de atrair financiamento, também a administração local pode pensar no desporto como gerador de actividade económica local e não apenas na distribuição de subsídios. Temos um exemplo bom para ilustrar isto mesmo: fazer a corrida urbana do Barreiro a terminar à hora de almoço e em articulação com os restaurantes da cidade, que podem inclusive ter um voucher refeição incluído na inscrição dos atletas a ser descontado no preço da refeição. Este é apenas um exemplo de como um evento que já decorre com regularidade, se pode adaptar de forma a contribuir para o desenvolvimento económico do Barreiro.

É necessário restringir a rivalidade entre os clubes “às quatro linhas”. Quer isto dizer, que todos os clubes se devem entender para que as conquistas fora do campo se consigam fazer e sejam benéficas para todos.

Não podemos também esquecer a vertente do desporto informal, como sejam o jogging ou outras modalidades que estão cada vez mais enraizadas. Este tipo de actividades são importantes para a sociabilização, encontro de gerações, troca de experiências, apropriação dos espaços, aumento de segurança e construção de identidades colectivas que promovam uma harmoniosa vivência da cidade. Também aqui, sejam os clubes, seja a própria autarquia, têm um papel importante a desempenhar. A criação de “Open days” pode ser uma alternativa muito interessante para a divulgação das diferentes modalidades.

 

O Barreiro pela sua história no Desporto deve pensar em grande. É obrigatório que a cidade consiga organizar “eventos âncora”, eventos esses que se afirmem como uma marca da cidade, e que possam atrair visitantes ao município. As infraestruturas existem, apesar de não possuirmos uma grande quantidade de recursos. Como tal faz falta o entendimento entre os clubes de que falei há pouco, que pode perfeitamente ser mediado pela CMB. Torneios de início e de fim de época nas várias modalidades e escalões, envolvendo os nossos clubes logicamente. Campos de férias, com várias actividades de forma a poder, por exemplo, aliviar os pais nos períodos de férias. Tudo isto pode ser conseguido com um planeamento adequado e com a vontade de todos em promover o desporto da melhor forma, algo que será certamente benéfico para clubes, atletas, autarquia… Para todos os barreirenses!

*- Este texto foi escrito sem recurso ao novo acordo ortográfico.

Miguel Minhava
Coordenador  de Desporto da Plataforma 2830

 

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