Isto mexe comigo. Começo por mostrar qual a minha posição face às touradas, encontro-me na facção do contra. Apesar de acreditar fortemente que as touradas não devam continuar, não envergo na discussão através de uma perspectiva radicalista pois a conversar é que a gente se entende. Para tantos outros que partilham a minha opinião, recomendo o mesmo. Falou-se num ponto crucial durante o debate: a tolerância; mas mais que isso enfatizo a empatia. Passo a explicar; primeiro independentemente das opiniões diversas, coloquemo-nos por breves momentos nos “sapatos”, nas “patas” e nos “cascos” dos outros. Esta linha de pensamento é uma ferramenta importantíssima para nos percebermos. Ora vejamos, quanto às pessoas que apoiam a tauromaquia à minha volta, sabem o que vejo quando olho para elas, modo geral? Boas pessoas! E lembro-me constantemente disso, são pessoas das quais discordo plenamente neste ponto, mas gosto da maioria delas. Vejo também a paixão que têm pelo touro, sendo que discordo bastante da maneira como põe essa paixão em prática.

No Prós e Contras os dois lados deram argumentos geralmente válidos, e espero com sinceridade que se tenham escutado e que o país inteiro participe no debate. Agora mais que isso, fica a questão: Chegou-se a alguma conclusão? Ao que me parece não. Se os primeiros passos estão dados (os de escutar o outro), resta chegarmos às soluções. Como podemos melhorar enquanto povo Português, mas sobretudo enquanto seres humanos dignos de respeito? Temos que nos juntar de novo e pensar no que há a fazer a curto e a longo prazo.

A mim não me compete dizer se é cultura ou não, nem me compete dizer se merece redução de IVA. Sei, no entanto, que também sou boa pessoa e que posso felizmente expressar a minha opinião, tal como os apoiantes de tauromaquia. 

Esta palavra leva-me ao seguinte ponto: Tourada faz parte, mas não define tauromaquia, e da qual não sou completamente contra. Tauromaquia possui um espectro mais alargado e envolve um número muito maior de cidadãos e com elas, também a força das suas almas. Acrescento que apesar do que afirmei, não lhe darei apoio ou incentivo. Darei sim, estímulo a uma onda de mudança gradual, em que perante a possibilidade de não haver consenso, seja de facto a solução mitigadora.

Quero o fim das touradas e da esmagadora maioria dos espetáculos que envolvam animais, mas no caso deste tema específico fico feliz se chegarmos a um acordo. Cabe a nós ver que acordo pode ser feito, arriscando também entrar no limbo de agradar aos dois lados e a nenhum, pois ao desejarmos coisas tão distintas a felicidade geral parece pouco fazível. Por favor continuem a falar do assunto publicamente sem rodeios, mas com clareza e respeito.

Podemos reduzir o número de touradas? Melhorar condições de transporte? Regular largadas? Substituir bandarilhas por métodos não-agressivos? A ver, depende de nós…

Deixo uma mensagem/pensamento final (algo abstracta e idealista), tanto de um lado como de outro são partilhados argumentos feitos por pessoas, gostava no entanto que fosse possível uma realidade em que todos ouvíssemos os argumentos dos animais envolvidos, nem que fosse para desempate.

(Este texto é redigido após ver com interesse o debate no programa Prós e Contras de dia 19 de Novembro de 2018 na RTP1.)

 

Mauro Hilário

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