SE O EUSÉBIO AINDA JOGASSE…

Quantos textos já não foram escritos sob este título? Mas não era bem isto que vos queria dizer. Era mais: “Se o Fernando Pessa Fosse Vivo”. Se o Fernando Pessa, o lendário jornalista português da Segunda Guerra Mundial, que também trabalhou para a BBC, fosse vivo e caminhasse hoje pelas ruas do Barreiro, essa antiga cidade de operários e ferroviários, diria algo como isto: 

“Agora que a exímia fiscalização municipal existe, vale a pena visitar o Barreiro! Está na moda. E como está na moda e a frota de transportes públicos funciona na perfeição, pode-se até apostar e tentar adivinhar a que horas sai o barco da Soflusa! O horário é simples: “sai quando tem de sair”. Divertimento garantido! Há barco ou foi suprimido pela excelência da manutenção dos mesmos?

Se gostar muito de apostar, pode arriscar tudo numa viagem de carro, e atravessar a nova ponte. Não a Vasco da Gama, mas sim a famosa Terceira Travessia prometida e anunciada com pompa de engenheiro. Aposta ganha. Não existe! 

Mas não há dúvida, voltando à margem: está na moda! E como era expectável, a paisagem é convidativa, pois é decorada por velhos frigoríficos de portas abertas, uma forma de receber os turistas, uma vez que o posto de turismo, diligentemente concebido encontra-se mais vezes fechado do que aberto, ao serviço dos potenciais interessados em conhecer esta cidade. 

Sim, é deveras animador, caminhar entre velhos armários, velhos sofás e amostras diversas de algo comum às cidades sustentáveis, lixo em tudo o que é canto. Não é falta de fiscalização ou intervenção camarária, é só falta de bom senso. Será culpa das alterações climáticas? 

Porém, com sorte, conseguimos ainda vislumbrar uma passadeira, algo que nos permite atravessar a estrada em segurança… Acaba por ser uma ilusão, o peão sabe que ela existe, mas o condutor não trava porque não a vê desenhada no chão. E assim se afirma o Barreiro. 

Chame-se agora outro qualquer ícone nacional ao palco das marés, e o Barreiro canta de alegria”. Só não sabe é quanto custou, mas gasta-se na mesma até “a torneira deixar de pingar”. Não é sempre assim? E esta, hein?

 

Luís Tiago

PSD Barreiro 

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