Mercadona investe milhões para repaginar lojas: mais frescos e self-service

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A Mercadona anunciou um plano de reestruturação das suas lojas que promete alterar profundamente a experiência de compra nos próximos anos: a empresa vai investir 3,7 mil milhões de euros até 2033 para renovar cerca de 1.600 estabelecimentos em Espanha e Portugal e implantar o novo conceito comercial chamado Tienda 9. A mudança visa acelerar as compras, dar mais destaque aos frescos e migrar para um modelo quase integralmente de autosserviço — fatores que terão efeitos diretos para consumidores, logística e arrumação das lojas.

Segundo a própria empresa, o projeto não se limita a um facelift — trata-se de uma reconfiguração operacional. Em vez de organizar produtos por categorias tradicionais, as prateleiras serão agrupadas por métodos de conservação: ambiente, refrigerado e congelado. Na prática, isso significa que artigos muito distintos (por exemplo, legumes congelados e pratos prontos congelados) ficarão juntos na mesma área, com a promessa de tornar a compra mais rápida e intuitiva.

Transformações visíveis no piso de venda

Uma mudança marcante será o fim dos balcões atendidos por funcionários em seções como talho e peixaria. Os artigos dessas áreas passarão a ser oferecidos já embalados e expostos em bandejas, substituindo o atendimento direto ao cliente. A Mercadona diz que a alteração busca ganhar agilidade nos processos internos sem reduzir a oferta de produtos frescos.

Ao mesmo tempo, a cadeia planeia ampliar o espaço dedicado a carne, peixe, frutas e legumes — áreas que, reconhece a companhia, precisavam de reforço. Outra aposta clara é no segmento de comida pronta: pratos refrigerados e opções “pronto a comer” cresceram cerca de 20% no último ano e já representam mais de mil milhões de euros em vendas anuais.

  • Investimento total: €3,7 mil milhões até 2033.
  • Escopo: renovação de aproximadamente 1.600 lojas em Espanha e Portugal.
  • Novo conceito: Tienda 9, substituindo gradualmente a Tienda 8.
  • Organização: produtos agrupados por conservação (ambiente, refrigerado, congelado).
  • Atendimento: redução de balcões assistidos; aposta no autosserviço.
  • Comida pronta: já presente em 1.469 lojas; investimento por loja entre €80 mil e €100 mil.

Autosserviço e consumo no local

O novo modelo privilegia o cliente que não quer perder tempo: a opção por self-service estende-se também à área de pratos prontos, onde a Mercadona estuda colocar mais mesas e cadeiras para consumo imediato. Até agora, essa secção funcionava com atendimento assistido em muitas lojas; a transição para um sistema em que o comprador escolhe e serve-se sozinho é um pilar da mudança.

Segundo a empresa, instalar a área de comida pronta custa entre €80 mil e €100 mil por loja. A escala da operação — já implementada em mais de mil e quatrocentas unidades — mostra que a Mercadona aposta forte neste segmento como motor de crescimento das vendas.

Impactos práticos e logística

A alteração da disposição por tipo de conservação exige adaptação da logística interna, dos fluxos de reabastecimento e da cadeia de frio. A Mercadona afirma que o objetivo é optimizar processos, reduzir tempos de espera e padronizar a experiência entre lojas.

Para os consumidores, as consequências mais imediatas tendem a ser duas: compras mais rápidas pela nova organização dos itens e maior oferta de produtos frescos e pratos prontos no mesmo espaço. Para a própria rede, a aposta representa um esforço de modernização que deverá marcar a próxima década da marca nos dois países.

Embora a empresa destaque ganhos em eficiência e experiência, a transição também levanta questões operacionais — por exemplo, sobre a redistribuição de funções do pessoal que hoje trabalha nos balcões de atendimento. A Mercadona aponta que o redesenho privilegia processos e uniformidade, mas detalhes sobre recolocação de equipas e formação ainda dependerão da implementação local.

Em resumo, a Tienda 9 coloca a Mercadona numa rota de renovação ampla: mais frescos, mais autosserviço e uma reorganização interna que pretende acelerar e tornar mais homogénea a experiência em todas as lojas. Resta acompanhar como essa transformação se refletirá no dia a dia dos clientes e na concorrência do setor retalhista.

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