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A nova direção da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora‑Sintra apresentou esta semana um plano para aliviar a pressão sobre a urgência e reestruturar o atendimento na região, numa altura em que o serviço opera longe da sua capacidade ideal. As medidas prometem mudanças rápidas — como novas unidades de resposta para casos pouco graves e reforço de quadros — e visam reduzir filas e deslocações desnecessárias já antes do próximo inverno.
Sandra Cavaca, que assumiu a presidência há cerca de um mês, foi ouvida esta quarta‑feira na Comissão de Saúde da Assembleia da República, a pedido da bancada da Iniciativa Liberal, onde detalhou os problemas encontrados e as ações em curso.
Segundo a responsável, a ULS chegou a enfrentar a saída do diretor de urgência e a perda de 11 profissionais num curto espaço de tempo, situação que agravou a sobrecarga do serviço. Para ganhar margem de manobra imediata, a gestão aumentou o número de camas sociais em lares de 65 para 90, permitindo a transferência de doentes que ocupavam leitos hospitalares.
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Foi criada também uma comissão temporária para gerir o serviço de urgência enquanto se procura estabilizar as equipas e atrair clínicos, incluindo alguns que deixaram recentemente a instituição. Paralelamente, a ULS abriu diálogo com empresas fornecedoras de pessoal para contratar médicos tarefeiros com vínculos mais regulares, em alternativa às convocações pontuais que têm marcado o último período.
Uma das linhas centrais do plano é retirar da sala de emergências os utentes com menor gravidade. Estão a ser revistas as rotas de atendimento para doentes triados com pulseiras verdes e azuis e avaliadas instalações que possam acolher atendimentos alternativos em curto prazo — os chamados Centros de Atendimento Complementar (CAC).
Um desses centros deverá funcionar no próprio Hospital Amadora‑Sintra, que dispõe de estruturas favoráveis, e outro será instalado na Amadora. A proposta inclui ainda a criação de múltiplos pontos de cuidados primários para desafogar o hospital.
Medidas imediatas e objetivos para três anos
As intervenções combinam ações de curto prazo com um projeto estratégico de maior amplitude, que prevê obras e reforço de capacidade clínica ao longo dos próximos três anos. Entre os compromissos anunciados estão a construção de um edifício adicional no hospital para aumentar camas e melhorar rácios clínicos segundo padrões nacionais e internacionais.
- Aumento de camas sociais (65 → 90) para desocupar urgência;
- Criação de uma comissão de gestão temporária do serviço de urgência;
- Contratação de pessoal por via externa para disponibilizar médicos tarefeiros estáveis;
- Abertura de pelo menos dois Centros de Atendimento Complementar (Hospital Amadora‑Sintra e Amadora);
- Reavaliação dos circuitos de triagem para desviar casos pouco urgentes;
- Plano de transformação do hospital com construção de novo edifício e aumento de camas em três anos;
- Expansão da rede primária: três centros de saúde na Amadora e mais três a quatro em Sintra.
A equipa de direção sublinha que a reorganização não pode tratar a urgência como um problema isolado: é preciso integração com o centro de saúde, o SNS 24 e outras respostas locais para evitar atendimentos repetidos e leitores deslocamentos ao hospital.
O contexto torna a tarefa mais exigente: a ULS assegura cuidados a cerca de 600 mil utentes, um universo bem acima dos 200 mil para os quais o hospital foi originalmente projetado. Há ainda cerca de 190 mil pessoas sem médico de família na área de influência, factor que dificulta a atração e fixação de profissionais.
Recursos humanos e condições de trabalho
Além do aumento do número de vagas, a administração aposta em medidas para tornar o trabalho mais apelativo — não apenas pelo salário, mas por horários flexíveis, teleconsultas e melhores condições logísticas. A ideia é combinar incentivos profissionais com uma oferta organizacional que permita reduzir a carga das urgências.
O projeto estrutural será apresentado aos autarcas em abril, com vista a recolher contributos antes de formalizar candidaturas a financiamento. A administração espera que a participação local e um plano claro facilitem a captação de recursos e profissionais necessários para executar as mudanças.
Próximos passos anunciados: finalização do plano estratégico, definição de locais para os CAC e abertura de processos para garantir recursos humanos externos. O calendário aponta para intervenções imediatas e um plano de consolidação ao longo de três anos, com impacto direto na rapidez de atendimento e na redução da pressão sobre os serviços de emergência.












